LAZER E USO PÚBLICO NO ENTORNO E NA RESERVA BIOLÓGICA DO TINGUÁ/RJ

Marcia Conceição Ferreira, Eduardo Ferreira, Emanuel Braga, Monika Richter, Silvia Souza

Resumo


A escassez de opções de lazer na Baixada Fluminense, localizada aproximadamente a 40 km das praias das Zonas Sul e Oeste do Rio de Janeiro, além de ser uma viagem onerosa e longa, leva a uma crescente procura por opções de lazer mais próximos da região. No período de férias escolares, a cada verão e, especialmente nos dias ensolarados e quentes como os registrados nos últimos anos, os balneários encontrados no entorno contíguo à  Reserva Biológica do Tinguá - REBIO Tinguá -  tem atraído um número cada vez maior de visitantes. Consequentemente, tem se observado maiores impactos ambientais provenientes deste uso público nas áreas próximas e até mesmo no interior da REBIO, embora seja categoria de Unidade de Conservação (UC) que não permite uso voltado para fins recreacionais. Dentre os impactos, destacam-se o aumento significativo de resíduos sólidos, oriundos do consumo de alimentos e bebidas, geralmente encontrados às margens dos rios, pichações em rochas, resquícios de lixo queimado e condições impróprias de balneabilidade em alguns locais em decorrência do excesso de pessoas. Dentro deste contexto, objetivou-se avaliar o perfil deste uso público, as motivações e características da visitação e a percepção ambiental dos frequentadores em relação à REBIO. Os resultados apontam que mais de 90% são provenientes da própria Baixada, tem como motivação as atividades de lazer relacionadas principalmente a banhos nas cachoeiras, tem consciência da problemática do lixo, embora sejam os responsáveis por este impacto e não vêem as comunidades de Jaceruba, Rio D'Ouro e outras áreas no interior da REBIO, como Tinguá e Xerém em Duque de Caxias, como localidades que integram a mesma Reserva.


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