Entre mediações institucionais e experiências populares
Trabalho, Estado e linguagem política no Brasil dos anos 1920-1930
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20519104Resumen
Este artigo analisa as relações entre experiências de trabalhadores urbanos, mediações institucionais e a formação de uma linguagem política no Brasil dos anos 1920-1930, posteriormente interpretada como "populista". A partir da metodologia proposta por E.P. Thompson, que privilegia a experiência social e a agência dos sujeitos históricos, examina-se o Conselho Nacional do Trabalho (CNT) como arena de conflitos e negociações onde trabalhadores desenvolveram estratégias de reivindicação que precederam e condicionaram as respostas estatais. O artigo dialoga criticamente com as interpretações clássicas do populismo brasileiro, questionando leituras que enfatizam a passividade das massas e a manipulação carismática, para propor uma análise que reconheça o protagonismo dos trabalhadores na construção de direitos. Conclui-se que o chamado populismo emerge como processo histórico relacional, produzido na interseção entre conflitos sociais, mediações institucionais e disputas pela legitimação do Estado interventor.