As batalhas de memória do Cavaliere: populismo, anticomunismo e políticas de memória na Itália de Berlusconi (1994-2011)

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DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20692679

Resumen

Este artigo analisa o papel das políticas de memória na reconfiguração do campo político italiano durante os governos de Silvio Berlusconi (1994-2011). Partindo do diálogo entre teoria do populismo, estudos da memória e historiografia da Itália contemporânea, argumenta-se que a mobilização do passado constituiu elemento central da lógica política do berlusconismo. O texto examina, em primeiro lugar, a erosão progressiva do paradigma antifascista que, desde o pós-guerra, sustentara a legitimidade simbólica da República italiana. Em seguida, analisa como a ascensão de Berlusconi e a formação de uma coalizão de centro-direita que incluía herdeiros do neofascismo favoreceram uma rearticulação da memória pública centrada no anticomunismo. Nesse processo, a substituição da oposição fascismo/antifascismo pela dicotomia totalitarismo/democracia contribuiu para deslocar o eixo moral da narrativa histórica nacional. Por fim, o artigo examina a institucionalização do Giorno del ricordo (2004) e a centralidade atribuída à memória das foibe como exemplo paradigmático dessa política da memória. Argumenta-se que a mobilização dessa memória funcionou como dispositivo populista de construção de um “povo-vítima” e de redefinição das fronteiras simbólicas da comunidade política. O caso italiano sugere, assim, que o populismo contemporâneo mobiliza o passado não apenas como repertório retórico, mas como instrumento ativo de construção identitária e de definição de antagonismos políticos.

 

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Biografía del autor/a

  • Mathews Nunes Mathias, Universidade Federal Fluminense (UFF)

    Doutorando do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde também concluiu mestrado e graduação (licenciatura). É vinculado ao Núcleo de Estudos Contemporâneos da UFF (NEC/UFF) e ao EUROPA: Núcleo de Estudos em História Moderna e Contemporânea. Também integra a rede de investigação Direitas, História e Memória (DHM). Possui experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: ditadura civil-militar brasileira, direitas, Igreja Católica, memória e regimes autoritários. 

Publicado

2026-06-11