Antifragilidade em redes
Mulheres artesãs, capim dourado e estratégias coletivas em comunidades quilombolas no Tocantins (Brasil)
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22739847Resumen
Este trabalho analisa como a Comunidade Quilombola Mumbuca, no Território do Jalapão (Tocantins, Brasil), desenvolveu capacidades organizativas que expressam traços de antifragilidade frente a pressões externas como o turismo desordenado, a expansão do agronegócio e a imposição de unidades de conservação. O estudo tem como objetivo compreender de que modo o enfrentamento ao processo de formalização institucional, exigido por políticas públicas e órgãos reguladores, fortaleceu a organização interna da comunidade. A metodologia adotada foi a intervenção sociotécnica participativa, com rodas de conversa e construção coletiva de documentos normativos (estatuto e regimento interno), respeitando a oralidade, os saberes locais e os critérios culturais da comunidade. O processo foi registrado por meio de diário de campo, fotografias e síntese de deliberações. Os resultados indicam que, diante do estressor da burocratização, a comunidade não apenas se adaptou, mas ampliou seu capital social e político, consolidando redes de cooperação, reafirmando sua identidade territorial e fortalecendo seus mecanismos autônomos de gestão coletiva. O manejo tradicional do capim dourado, articulado à governança comunitária da produção artesanal, revelou-se um bem comum regulado por normas internas construídas de forma dialógica e legítima. Conclui-se que a experiência evidencia uma resposta comunitária que transforma vulnerabilidade em capacidade adaptativa, reforçando o papel dos saberes tradicionais e da autogestão na construção de soluções institucionais sustentáveis em contextos rurais periféricos.