Tecendo os fios da memória: trajetórias e experiências de torcedoras organizadas no Rio de Janeiro

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Resumo

O presente artigo traz reflexões a partir de um balanço inicial de um conjunto de entrevistas realizadas entre 2019 e 2022 com dez torcedoras pertencentes a torcidas organizadas do Rio de Janeiro. Através das trajetórias e experiências das interlocutoras pretendeu-se compreender os significados atribuídos à iniciação no universo do futebol e à adesão à torcida. O estudo parte do pressuposto que a paixão não é um sentimento espontâneo, natural, mas uma categoria êmica, que ganha sentido no contexto de redes tecidas por e para sujeitos específicos, sendo fruto de aprendizagens sociais. Do ponto de vista analítico, a paixão é uma espécie de matéria-prima para conhecer o mundo do outro, conhecimento esse que se torna possível através de discursos, práticas e ações concretas. O processo de análise se deteve tanto nos aspectos singulares dos percursos de vida de cada colaboradora, quanto nas recorrências. Tal estratégia teve o intuito de construir alguma totalidade, a partir dessa pluralidade, arriscando possibilidades interpretativas acerca dessa experiência social. As narrativas das torcedoras organizadas cariocas descortinam histórias e desafios enfrentados para defender sua inserção e ação em variadas esferas e dinâmicas dessas agremiações. Assim, o trabalho aspira contribuir para redimensionar as interpretações sobre o lugar, o papel e a efetiva participação das mulheres na história do torcer e dar visibilidade às suas lutas contra as hierarquias de gênero no futebol.

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Biografia do Autor

  • Rosana da Camara Teixeira, Universidade Federal Fluminense

     Antropóloga. Professora Associada da Faculdade de Educação (UFF).  Pós-doutorado (Museu Nacional - UFRJ); Doutorado (PPGSA - UFRJ).  Pesquisadora do Laboratório de Educação e Patrimônio Cultural (FEUFF).

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Publicado

2025-12-30

Edição

Seção

Dossiê