Praias interiores e a ausência do mar / Inner beaches and the absence of the sea

Aline Lúcia Nogueira Medeiros

Resumo


Uma leitura sensível da paisagem urbana em Belo Horizonte – MG evidencia a força dos limites e a necessidade de transgressões. Os limites do urbano determinam, distanciam e separam. Não apenas seus componentes visíveis e tangíveis, que são rua, praça, casas e prédios, avenidas impróprias ao andar, mas o que está nisso e, além disso: na abstração do olhar, nos sentidos urbanos. Sentir o urbano a partir do corpo consciente é experienciar com os pés, mãos, estômago atentos. Já transgredir é tanto a ação humana de exceder ou atravessar os limites, quanto a ação do mar de superar as suas próprias linhas litorâneas e molhar mais a costa. São dois movimentos nos quais se principia o caos, o início de algo imprevisível, justamente por enunciar novas (des)ordens. Quando o mar inunda a ordem urbana distante do litoral sem a previsibilidade do afogamento, sentimos o inusitado libertador como se fosse uma brisa, refrescante e prazerosa de carícias. A brisa do mar se espraia como um convite, um chamado ou mesmo uma invocação. As praias interiores se revelam na ausência do mar, que invade.


Palavras-chave


Praia. Mar. Belo Horizonte – MG. Urbano. Fenomenologia. Paisagem.

Texto completo:

PDF

Referências


BACHELARD, G. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

DIÁRIO DO MAR EM MINAS. [Beatriz Mom]. 2017. Sesc Palladium. Disponível em: https://www.facebook.com/diariodomaremminas/. Acesso em: 1 maio 2017.

DRUMMOND, Carlos. Corpo. 1a ed. São Paulo: companhia das Letras, 2015.

DRUMMOND, Roberto. Ontem à noite era sexta-feira. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1988.

HISSA, Cássio E. V. A mobilidade das fronteiras: inserções da geografia na crise da modernidade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

MELO, Thálita Motta. Praia da estação: carnavalização e performatividade. 2014. 159f. Dissertação (Mestrado em Artes) – Escola de Belas Artes, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

SENNET, Richard. Carne e pedra: o corpo e a cidade na civilização ocidental. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008.

SERRES, Michel. Os cinco sentidos: filosofia dos corpos misturados. Trad. Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2001.




DOI: https://doi.org/10.22409/geograficidade2020.101.a28653

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Geograficidade

 

 

Logotipo do Crossref Licença Creative Commons

Todos os textos da revista Geograficidade, do Grupo de Pesquisa Geografia Cultural Humanista estão licenciados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.