Escola pastiniana e escalas afirmativas: N’zinga abrigação de capoeira angola
DOI:
https://doi.org/10.22409/geograficidade2018.83.a13163Palavras-chave:
Geografia escolar. Capoeira angola. Racismo.Resumo
Compõem essa redação, espacialidades e temporalidades de uma geografia escolar a ser trabalhada nos espaços formais e informais de educação. Apresento o exemplo de escalas musicais na Capoeira Angola que atuam como instrumento de ações afirmativas políticas e culturais na luta contra o racismo e a discriminação da identidade negra. Estou baseado em reflexões teóricas e vivência no Instituto N’zinga de Capoeira Angola em São Paulo. Partindo do disco ‘Abrigação de Capoeira Angola’, o texto traz exemplos da oralidade de matrizes bantus e portuguesas presentes no jogo/dança de Angola. Sustentado na Escola Pastiniana (Mestre Pastinha, 1889-1981), tenho o compromisso com o espaço-tempo da Capoeira Angola afirmando seus ritos como resistência. As palavras cantadas, em conjunto com os instrumentos de matriz africana, são articuladas nas políticas educacionais e nas estratégias pedagógicas de valorização da diversidade, a fim de superar a desigualdade étnico-racial presente na geografia escolar brasileira.
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