Uma gramática da alteridade: Recordações d’uma colonial (memorias da preta Fernanda) como laboratório da colonialidade literária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/abriluff.v18i36.70716

Palavras-chave:

Colonialidade literária, Gramática da alteridade , Literatura Colonial Portuguesa , Representação da Mulher Negra

Resumo

O presente artigo propõe uma análise de Recordações d’uma Colonial (Memorias da preta Fernanda) (1912), de Alberto António May Totta e Fernando Machado, como um laboratório da colonialidade literária. Amparado numa leitura que articula escrita literária e ideologia colonial, o estudo propõe compreender a obra como espaço de experimentação de uma gramática da alteridade, na qual se ensaiam procedimentos narrativos de racialização, erotização do corpo da mulher negra e pedagogia da assimilação colonial. Através do recurso à falsa autobiografia, atribuída à protagonista, o texto fabrica uma voz subalterna que aparentemente legitimaria hierarquias raciais e civilizacionais. O artigo demonstra, assim, como esses dispositivos operam ao nível da recepção, naturalizando estereótipos e convertendo o corpo da mulher negra em lugar privilegiado de inscrição do poder patriarcal e imperial, antecipando mecanismos que encontrarão fortuna na literatura colonial de ambientação africana, institucionalizada através da instauração dos Concursos de Literatura Colonial/Literatura Ultramarina.

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Biografia do Autor

  • Luca Fazzini, Universidade de Lisboa

    Centro de Estudos Comparatistas (CEComp) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL)

  • Danielle Duque Baracho, Universidade de Lisboa

    Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL)

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Publicado

2026-07-31

Como Citar

Uma gramática da alteridade: Recordações d’uma colonial (memorias da preta Fernanda) como laboratório da colonialidade literária. (2026). Abril – NEPA UFF, 18(36), 187-201. https://doi.org/10.22409/abriluff.v18i36.70716