Trabalho digital remoto:

desafios e perspectivas para as universidades públicas.

Autores/as

  • Catharina Marinho Meirelles UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
  • Julio Carlos Figueiredo UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
  • Dennis Pietrobom Lessa UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
  • Claudenir dos Santos Pereira

DOI:

https://doi.org/10.22409/gr7wyq27

Palabras clave:

Inteligência Artificial; Teletrabalho; Programa de Gestão e Desempenho

Resumen

Este artigo discute os possíveis impactos das tecnologias digitais de informação e comunicação sobre o 
mundo do trabalho, focando no processo de digitalização e na precarização das condições laborais dos 
servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) nas Instituições Federais de Ensino Superior 
(IFES) do Brasil, com destaque para a Universidade Federal Fluminense (UFF). A pesquisa examina as 
transformações ocorridas, sobretudo a partir da pandemia de Covid-19, evidenciando a adoção do 
Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que formaliza o teletrabalho nas autarquias federais, e os 
desafios impostos por essas mudanças. Adotando uma abordagem qualitativa, o estudo utiliza uma 
pesquisa bibliográfica fundamentada no materialismo histórico-dialético, além de levantamento de 
documentos relativos ao tema. Os resultados sugerem que a digitalização intensifica o trabalho, em geral, 
precariza as relações laborais e transforma o perfil da força de trabalho, exacerbando desigualdades 
sociais e econômicas. Contudo, a digitalização não elimina completamente o trabalho vivo, mas cria novas 
formas de exploração e controle. Além disso, o artigo sugere que as inovações tecnológicas, apesar de 
promoverem ganhos em eficiência, reforçam a alienação dos trabalhadores e geram novos dilemas na 
dicotomia entre autonomia e controle. No que tange ao teletrabalho realizado nas IFES, o PGD apresenta, 
na perspectiva dos servidores e dos movimentos sindicais, contradições inerentes às condições sob as quais 
foi implantado. Conclui-se que as tecnologias digitais, embora tragam avanços significativos, ampliam as 
desigualdades e impõem novos desafios para a sociedade, especialmente no contexto das universidades 
públicas brasileiras, onde a precarização do trabalho e a intensificação das demandas por eficiência 
afetam diretamente os trabalhadores.

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Biografía del autor/a

  • Catharina Marinho Meirelles, UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

    Graduada em Psicologia, Universidade Federal Fluminense (1995); Mestre em Administração, Universidade Federal Fluminense (2002); Doutora em Políticas Públicas e Formação Humana, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2016).

  • Julio Carlos Figueiredo, UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

    Graduado em Psicologia, Faculdade de Humanidades Pedro II (1997); Mestre em Administração, Universidade Federal Fluminense, 1999; Especialista em Psicologia, Fundação Getúlio Vargas (1979); Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2015).

  • Dennis Pietrobom Lessa, UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

    Graduado em Psicologia (Universidade Federal Fluminense) (2024)

  • Claudenir dos Santos Pereira

    Graduando em Psicologia (Universidade Federal Fluminense)

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Publicado

2025-12-22

Número

Sección

Estado, Organizações e Sociedade