CIBERTERRITÓRIOS DE RESISTÊNCIA FEMININA: MÍDIA, MEMÓRIA E AFETOS
DOI:
https://doi.org/10.22409/4j7vdv02Palavras-chave:
Colonialidade dos dados, Racismo algorítmico, Necropolítica digital, Plataformização, Soberania informacionalResumo
O artigo investiga como as infraestruturas digitais reproduzem regimes de colonialidade, epistemicídio e necropolítica, afetando corpos, saberes e estéticas das mulheridades negras, indígenas, quilombolas, periféricas, travestis e trans. O objetivo do estudo é analisar de que maneira a plataformização e os sistemas algorítmicos operam como dispositivos de captura epistêmica, mercantilização cultural e reprodução de hierarquias coloniais no ambiente digital, bem como compreender como práticas insurgentes constroem ciberterritórios de resistência e soberania informacional. A partir de uma abordagem teórico-crítica, interseccional e documental, a análise evidencia que a plataformização opera como um dispositivo de captura epistêmica, estetização despolitizada e mercantilização de saberes e afetos racializados. Os resultados apontam que os algoritmos e os modelos de inteligência artificial reproduzem epistemologias eurocêntricas, apagamentos históricos e hierarquias coloniais, convertendo dados, estéticas e memórias em ativos financeiros. Simultaneamente, o estudo identifica práticas insurgentes como ciberquilombos, ciberaldeias, redes de soberania digital e estéticas do glitch, que operam como infraestruturas sociotécnicas de resistência, reexistência e produção de epistemologias contra-hegemônicas. Conclui-se que os ciberterritórios de resistência não apenas tensionam as arquiteturas tecnocoloniais, mas também afirmam outros modos de existir, comunicar e produzir futuros descoloniais.
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