A CHAMA ARDENTE DA EDUCAÇÃO POPULAR ENTRE NÓS:

Entrevista com Luiz Augusto Passos


Ana Lole

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, RJ, Brasil


Percival Tavares da Silva

Universidade Federal Fluminense

Niterói, RJ, Brasil


DOI: https://doi.org/10.22409/mov.v7i12.41207



1. Tendo como referência a sua trajetória de vida, como o senhor enxerga a influência do pensamento marxista na educação popular brasileira?


Nasci em Rincão da Cruz, distrito de Pelotas (RS), lugar de serra, frio. Pai professor de escola multisseriada. Ali viviam, vivem ainda hoje, colonos italianos e pomeranos, chamados “alemães”. Além desses, havia dois quilombos fortes e duas aldeias indígenas, uma delas Guarani, outra Kaingang, inclusive, meu tataravô, da parte de Mãe, era Kaingang. Meu pai era um educador esmerado, criativo. A escola era utopia viva, inventada dos seus sonhos de liberdade e de criação. Pedagogia ativa, trabalhos em rodas, tarefas coletivas, muita música, jogos, dança, crochê, tricô, comidas, serrinha de arco e orfeão. Quando eu ainda era um neném, fomos transferidos para uma escola maior, a Açoita-Cavalo. As provas eram feitas por cópias em forma de gelatina, vinagre e breu. Desenhava uma matriz em papel gessado, punha a face na gelatina por dez minutos. Na imagem espelhada, colocava folhas brancas que agora reproduziam a prova em cores de azul de metileno, iodo metálico, violeta genciana e anilinas. A casa pertencia à escola, açude com carpas. Com minha irmã Maria do Carmo, dois anos mais que eu, íamos até o centro da lagoa, de pés descalços, quando a água virava gelo. Música por toda parte. Papai adorava música. Montou aerodínamo ao lado da casa, fez uma eletrola com cinco cordas de manivela, comprou peças e fez um amplificador, cornetas cheias de resistores para os graves. Música popular, brasileira, nordestina, orquestrada, Carmem Miranda, Luiz Gonzaga: a estrada de chão cortava o vale. Do outro lado do vale, ouviam músicas os moradores. Sábados e domingos músicas orquestradas: Strauss, Mozart, Melachrino, óperas completas em acetato maior. Anos de discos. Dizia “Não bebo, não fumo... compro livros e discos!” Cada cópia de disco novo reservava uma. Fui aluno dele, sem medalhas: “filhos do professor”. Cecy Sacco, delegada de ensino, comprou as medalhas para mim. Fomos a Pelotas. Mudou nossa vida. Cantava óperas. Com 12 anos, estava no Rio de Janeiro só com meu maestro, concertos líricos. Dois anos de solidão. Nunca esqueci a doçura de Menotti del Pichia e astúcia do Núncio apostólico, a ansiedade do Vicente Celestino e as lágrimas do Ary Barroso no programa de TV à tarde. Buscava sentidos dentro de mim. Voltei a Pelotas e ganhei mãe adotiva, Irmã Assunta Maria Tacca, que propôs a meu pai Mozart que fosse à favela com ela para trabalhar com os pobres. Ciumento que ele era, disse à minha mãe “Eu até vou deixar, porque gostei daquela freira!” Foi decisivo! Ganhei, desde os onze anos, um irmão negro, João Manoel Lima Mira, com quem estudava na mesma carteira no Ginásio Gonzaga. Vivíamos de música e biblioteca e na Vila dos Agachados. Ele: artes marciais. Líamos muito, livros de espiritualidade e ação emancipatória: “Uma escola social’ (Azanradi), Thomas Merton, Abbé Pierre, Lebret, Bartolomeo de las Casas, Franz Fanon, Rahner, Hoonnaert, Enrique Dussel da Teologia da Libertação. Já padre Jesuíta, no Candomblé, Rio de Janeiro. Juntos na Filosofia, leitura sistemática das obras completas de Freud (noite a fio) em diálogo com Marcuse, Benjamin. Estava no envio para ir a Cuiabá comigo, episódios de racismo, desde os primeiros contatos, impediram sua continuidade, por ser negro! Mira como padre jesuíta, concluiu mestrado no Rio de Janeiro sobre o Negro no período colonial, era professor na PUC, iniciou-se no Candomblé, peregrinou em muitas formas religiosas da mística oriental. Foi enviado ao Japão, Universidade de Sofia, em pouquíssimo tempo fez parte da hierarquia dos Monges Shintoistas Yamabushi, com apoio do Mestre Wu no Brasil. Wu e Mira fundaram a Praça Celestial da Paz, em Brasília, e a Sociedade Brasil-China. Somente ela falava em nome dos Yamabushi. Afirmou em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos-IHU: “Fui ao Japão não para converter japoneses, mas conhecer a face oriental de Deus”. Repetia Merton: “Da mística à política, é somente um passo!”. Formação preciosista na filosofia e teologia, todas em férias, encontrávamos em Pelotas (RS) nossa terra natal, eu cuidando da saúde e Mira da área mais psíquica, trabalhando em um acampamento junto à nossa mãe comum, Irmã Assunta. Hoje, com 84 anos, envolvendo voluntários, continua esse trabalho diuturnamente com uma sinergia que traz sentido de saúde e de vida. No Rio de Janeiro, durante o forte período da ditadura, Mira entrou na clandestinidade, levava pessoas ameaçadas para fora do país. Era quadro da Ação Popular Marxista Leninista1, na qual também fui militante.


Dois acontecimentos marcaram minha vida de militância. Era professor de Ensino Religioso no Catarinense (SC) e da formação no Seminário, junto com Jorge Cantos, filósofo e sociólogo, já em meu controvertido três anos. Recebi de Padre Edgar Oliveira, da Pastoral da Juventude de Santa Catarina, o curso de Pedro Pontual, ainda jovem, na arquidiocese. Decidi aceitar o convite. Fui para São Paulo, acolhido pelo Anchietanum, organizando a vida e as atividades. O Curso de Especialização no Sedes Sapientiaes e voltava ao “Planejamento de Educação Popular” orientado pela Renov - Relações Educacionais e do Trabalho,2 de Maria Nildes Mascellani e Elza Lobo. A chegada dos exilados no país pela Anistia estava trazendo os grandes intelectuais expulsos pela ditadura. Houve uma articulação fundamental para que viessem em inserção com atividades nas universidades e na articulação política. Foi imprescindível a enorme competência organizativa da anciã frágil, doutora em Psicologia, a Psicóloga Agostiniana Madre Maria Cristina, quem era apaixonada pelos movimentos sociais populares, nome lembrado inclusive pelo assentamento do MST Madre Maria Cristina, no Mato Grosso. Sob coordenação dela em conexão direta com a PUC-SP e a Sedes Sapientiae, tendo à frente Cardeal Evaristo Arns, os retornados também puderam contar com mais esse apoio. O Curso da Renov, de Maria Nildes Mascellani com Elza Lobo, garantiria esse espaço, servindo para ouvir as pessoas que chegavam do exílio e para compartilhar os conhecimentos e a visão do Brasil e dos Movimentos Sociais Populares. À época, eu estava matriculado na Faculdade Nossa Senhora Medianeira, complementando a licenciatura em Filosofia.


Meu objetivo era conhecer a vitalidade das Favelas em São Paulo. Com a ajuda de jovens amigos vicentinos, recebi como presente um barraco para morar em uma favela, situada na Zona Leste, de nome Santo Eduardo, na Vila Formosa, próxima ao território episcopal de D. Luciano Mendes de Almeida. Jorge Cantos termina o vínculo com os jesuítas e vem morar com sua esposa Aninha na favela. A favela era minha escola de solidariedade e de vida. Fui nominado com o “Gordo sem muié”. Minha rotina de trabalho para sobreviver era trabalhar na Metalúrgica POP, não longe de lá. Chegava à linha de montagem, grande número de aparelhos, em caixas de ferro, quentes, com água oleosa. Era necessário tirá-los da imensa maioria de farpas de metais cortantes. Levando à boca, tapando um lado e sugando o ar, com pressão, para saber se havia vazamentos e descartá-los. O tempo da primeira semana não foi infinito, porque havia um longo feriado. Muita febre, mãos inchadas, lábios feridos pelas farpas de metal. Gastei um vidro de Mertiolate e, na semana seguinte, recomecei. Com dois meses, os dedos driblavam, negociavam com os cavacos que ficaram macios. O instrumento só raramente machucava as mãos que já estavam endurecidas. Com três dias e meio de trabalho, eu pagava o meu mês trabalhado e o resto era lucro. Na favela, no barraco vizinho, havia um menino magro, ossudo, simpático. O conhecia pelos gritos de sua mãe. Olhou-me com curiosidade. Disse-lhe: “Vou adivinhar seu nome!... É Onivaldo!” Respondeu: “Não é não. É Nivaldo. Errou!” Por ironia, sua mãe gritara de novo, de longe: “ÔÔÔNivaldo!” Embaraçados os dois, rimos muito. Nivaldo dera-me informação importante: “A professora minha é muito boa, ensina que o Brasil é um país muito bom para todo mundo e precisa trabalhar para ganhar dinheiro!” Quase um mês depois, Nivaldo comentou: “Tá ruim na escola. A professora não dá aula, porque não pagaram o trabalho dela, e ela não tem dinheiro para o ônibus”. Arrisquei: “Ué, Nivaldo, como pode um país tão maravilhoso e tão bom nem pagar a professora que trabalha com vocês?” Em um acesso de tosse inteligente, meio cuspido, de pão, margarina e língua, revidou: “Cala a boca, gordo! Você é analfabeto e não sabe de nada de escola, nem sabe escrever!”


Na favela, sempre entrava na parte alta, onde o ônibus parava, a rua semi-iluminada. Chegava depois da meia-noite, no último ônibus. A escuridão da favela me pacificava. Tinha que saber onde botar o pé. Meu barraco era parte baixa. Contudo, fora da favela, carros da Rota, com lanternas, armas automáticas e carabinas, contornavam a ostensivamente. Na véspera de nossa entrada, o barraco em frente ao nosso fora metralhado no meio da noite. Vindo do Sedes com muito frio, peguei uma chuva torrencial gelada. Vi, na escuridão, pelos relâmpagos, Nivaldo que soluçava enregelado, aninhado sob uma toalha na porta do nosso barraco. Sua mãe mandou dormir na chuva por ter sido desobediente. Fizemos o leite que tínhamos com muito açúcar, mas ele chorou quase a noite toda. Participávamos da mobilização do Movimento dos Trabalhadores, em São Miguel Paulista, um dos núcleos do qual emerge, em 10 de fevereiro de 1980, o Partido dos Trabalhadores - PT3.


Voltei a Cuiabá (MT) pelo término da greve, que declinara com o assassinato de Santo Dias, em Piquete, no dia 30 de outubro de 1979. Assumi o compromisso de ir para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, assumindo minha condição de padre sem me desligar do compromisso pessoal e social com a Teologia da Libertação, em diálogo com todas as outras formas e espiritualidade religiosas, e da resistência contra a ditadura. Cheguei de ônibus, nessa cidade, dia 23 de novembro de 1979. Na Igreja do Rosário, iniciamos uma caminhada de Educação Popular, CEBs, Direitos Humanos, o Centro de Pastoral do Rosário, Movimento de Defesa dos Favelados, Movimento de União e Consciência Negra.


De Cuiabá, fui chamado à formação última dos jesuítas, em Itaici (SP). Quando já estava próximo de nossa conclusão dessa etapa, veio à notícia da prisão sem mandado judicial dos padres franceses Aristides Camio e François Gouriou. Solicitavam dois padres para virem substituí-los, temporariamente, que residiriam na casa de Oneide, viúva do Gringo4, assassinado por resistir na terra com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Paco, jesuíta espanhol, que trabalhava com D. Fragoso no Crateús (Ceará) e eu, de Cuiabá, oferecemo-nos para tentar suprir a falta – insubstituível – dos padres franceses. O Araguaia todo, os outros rios, as terras, as matas, o cerrado eram patrulhados pelos órgãos de segurança e pelo exército. Tudo, todos e todas controlados e controladas pelo Grupos de Terras Araguaia (GETAT - Tocantins) e o exército nacional. Havia um plus, o silêncio imposto, respingos da guerrilha do Araguaia, reiterada inclusive pelo terror para responsabilizar a guerrilha e justificar as mortes. Quase todo mês, Oneide e seus filhos ficavam com uma metralhadora na cabeça. O menino mais novo, de cinco anos, explicitamente dizia e repetia: “Eu odeio polícia, eu odeio polícia...” No banheiro, ele ficava sob a mira de fuzil na cabeça.


Chegávamos à mata, escura, as pessoas se escondiam por medo. O Jeep era um símbolo por si mesmo, sem precisar identificação. No entanto, a suspeita só diminuía quando parávamos e, do banco de trás, saía Oneide, bandeira viva de carinho, paz e de voz! O medo era quebrado por Oneide instaurando o Pentecostes, devolvendo línguas de fogo para desabafar os desaparecimentos, conhecer as desinformações, as tramas, por a nu as mentiras, falar com segurança e sem medo. Na sede em São Geraldo, havia mais um telheiro do que uma Igreja. Tão logo se chamava à missa, dois grandes Jeeps do GETAT, atrás, com faróis altos, barulho ensurdecedor, impediam a comunicação. Tudo mal se ouvia. A estratégia adequada era um ritual com tranquilidade, sem pressa alguma, desdizendo a “desimportância enorme” (Manoel de Barros) da violência pelo acolhimento nu e livre.


A escola e o hospital ficavam junto ao quartel, na área de segurança cercada do GETAT, como se fossem uma colônia única. As pessoas que entrassem no hospital, ligadas ao sindicato, não mais saíam. Sobrinho do Gringo, 12 anos, pegou uma hepatite com infecção pulmonar grave. Não poderia ir ao hospital. Fiquei diuturnamente com ele, pois conhecia muito de plantas e procedimentos necessários. Mais ou menos recuperado, após doze dias, fui para o outro lado do rio aprender a fazer pão de abóbora com o irmão da Oneide. O primo, a pedido do menino, amarrou a rede no alto da mangueira de que ele tanto gostava. O galho quebrou e o fígado foi atingido. Por des/razões religiosas, a mãe passou para vê-lo e muito sofrida disse: “É alma perdida!”. No outro dia, senti sinais da hepatite em mim. Quando do enterro, estávamos de passagens já compradas para o longo retorno. Minha hepatite se agravava muito. Na chegada a Salvador (BA), fiquei quase 45 dias de rede. A Rádio Nacional divulgou, repetitivamente, que eu tinha morrido. Após dois anos, a hepatite me travou e, por isso, redescobri a homeopatia do meu pai. Impossível contar detalhes do vivido. Vivemos Paco e eu, por ou sem opção, de pão e de banana no Araguaia. Aprende-se muito com as perdas! Contudo, muito mais com os encontros que nos transformam pela dimensão política.


Assim foi o meu diálogo com Chipita – anciã coordenadora da Comunidade Eclesial de Base – na Nicarágua durante a guerra: pura profecia. Para escapar do massacre, os jovens da resistência entraram com ela dentro de um vulcão em Cuernavaca no México. Ali ficaram um dia inteiro com D. Sergio Mendez Arceo. O assaltei na porta: “D. Sérgio para mim o cristianismo não é uma religião”. Ele quase saltou no ar: “Claro que não é!” Na Áustria, as mulheres muçulmanas queriam ouvir Paulo Freire sobre cristianismo libertador e me ensinar sobre o profeta: era Astrid sob a opressão do sistema ocidental, sobretudo contra as mulheres muçulmanas. Em El Salvador, convivi com os ‘futuros’ mártires jesuítas mortos, na invasão da Universidade Centro-Americana (UCA), pelo Sapo Napoleão Duarte. No campo de refugiados em El Salvador, só havia mulheres e crianças muito pequenas. Antes de nossa chegada, os maiorzinhos foram levados pelos militares e, logo depois, os guerrilheiros levaram mais dois. Recolhi, gravando, as mulheres cantando: “El veinte cuatro de marzo...” – memória da morte de D. Oscar Romero. Levei a Pedro Casaldáliga que recuperou algum texto provável. Pedi a Marluí Miranda para fazer o arranjo, executá-lo e interpretar como presente a D. Pedro. Ficou divino, com Caíto na percussão, no disco Caminhada dos Mártires da Verbo Filmes.


O que sustenta a esperança é que toda opressão se exprime em sua fragilidade de se imaginar poder ter domínio sobre as pessoas e as coisas. Trago comigo uma frase da filósofa Simone Weil – foi recruta de infantaria na Guerra – “Alguma coisa misteriosa no universo é cúmplice dos que só amam o Bem”.


2. Na perspectiva do senhor, quais contribuições a práxis freiriana trouxe para a educação (popular)?


Paulo Freire é o antípoda desse paradigma da guerra, do genocídio, da desigualdade. Rubens Alves chamava o excesso de certezas não de paradigma, mas de paradogma!5 Freire é movido pela realidade concreta, de suor, de sangue, de trabalho, de festa e de amorosidade. Não se movimenta e não se adequa a qualquer dimensão dormente ou de indiferença. No sentido radical, propugna uma educação libertadora em que a plenitude do ser mais não fique restrita à sua expansão nos limites já alcançados antes. Seria ignorar a dialética da matéria e da energia, reconhecida e mais bem visualizada pela quântica, pelos sistemas instáveis e abertos, que jamais estacionam em um único patamar derradeiro ou de chegada. Nunca chega e nunca repousa. É paradigma revolucionário, de empuxe, de ânimo, de busca dos novos horizontes que são a única coisa que temos nos mover agora em direção àquilo que ainda está por vir. Não há limite: somos, podemos dizer, o deslimite (Manoel de Barros). História aberta para o futuro. Não seguirá trilhas prontas. Nunca repetirá fórmulas decoradas. Terá de criar, de provocá-las, de inovar. Não somos seres satisfeitos. Vivos, o que seremos amanhã será, necessariamente, parte de um amanhã inédito, isto é, da energia do cosmos, da nossa ‘terrenidade’ irrepetível: não possui fórmulas prontas. O que fomos ontem serviu ao ontem. O amanhã é o desafio de recriar pela expressividade viva dos processos que não dominamos. Não fluir no tempo sempre será uma inutilidade. A educação não poderá jamais ser o adestramento nem a internalização de um padrão de repetição. As pessoas que repetem não sentirão o gosto de reviver um ontem que se deu certo ontem, não servirá de medida para o amanhã, o amanhã não será o hoje requentado. Então, a Educação é aberta, revolucionária, criadora e exige pensar o amanhã com o mesmo carinho com que se parturizou, uma vez só, no tempo que ontem foi vivido. Teremos que parturizar o hoje do agora, instável, de acolher as condições que estarão na ponta dos dedos e no caminhar aberto, confiante que sempre emergirá no aceite, no acolhimento, coisas novas que não foram ainda feitas e não se repetirão como receita de bolo. Aliás, quem os repete? Educadoras e educadores sempre serão artistas criadores e viverão um cotidiano na busca de ser pessoas que se refazem no agora com a mesma doçura e inteireza para aquele novo tempo e lugar. Viver o amor não é fazer tudo o que se fez, mas fazê-lo nos sentidos do mistério. O que mata educadores e educadoras é a busca de um procedimento que tem de ser percorrido, a cada passo previsto antes, em um modelo calcinado e inútil. Diga-se que faz da vida e do coração uma máquina de execuções. Todo paradigma que se apresente como coqueluche é um esbulho, uma busca de tirar a ferro o feto novo que não sai. Assassina a esperança. Mata a verdade da educação que é vida vivida, que não tem uma embocadura definitiva, porque flui em nós como uma disposição constante para a artesania. O que ocorre e dá certo em um lugar e em um tempo com pessoas que são mutantes não poderá reproduzir os mesmos feitos antes. Não reproduzir é gerar uma disposição de não querer um momento mumificado. Na Educação, a ação pode nos ajudar a confiar que, na aparente imprecisão, o feito agora será mais gostoso do que o prato feito. Matam-se não apenas crianças e jovens e adultos, mas destroem-se os sonhos de uma humanidade a ser parida a história de pessoas vivas, no agora, em face daquele tempo de viver significativamente no compartilhar o aprender. A palavra originária E-ducere6 é conduzir para tirar de dentro por meio de uma busca amorosa e aventureira. A avaliação é o momento de levantar a cada encontro até aonde chegamos e como poderíamos dar os próximos passos do que ainda está por vir.


3. Como o senhor avalia as relações de força no Brasil em relação às políticas educacionais destinadas às classes populares após os governos petistas?


Tenho a nítida impressão de que o medo do novo sempre apavora as pessoas que foram feitas para reproduzir fórmulas que tiveram algum sucesso. Nesse sentido, a vantagem dos governos petistas é que aprenderam definitivamente – mas nem todos, nem todas e nem sempre – que a educação é a chama ardente de uma experiência viva que precisa ser vivida com ex-si-stência. Isso é tirar para fora de si e expressar o ser de agora como forma de manter a vida, vida parturizada. Tipo aquilo que os discípulos de Emaús sentiam quando o estrangeiro falava do Messias, o qual teria de abrir caminho como servo sofredor e que morto haveria de ressuscitar no sentido de trazer vida e comunhão que emergia como verdade palpitante e morna na caminhada e na conversa. Diziam depois: “Não se abrasava nosso coração enquanto ele nos falava?” Um educador terá sempre de trazer a esperança, a certeza de que a vida vivida, a história sofrida, a dor dos corpos macerados deixa uma latência palpitante na história, não podendo ser esvaziadas e nem emudecidas, carecendo ser expressas para conferir sentido de ressurreição. Lembro-me de ter dito a pessoas diante de uma expropriação de um imóvel que se tornou vazio: “vocês acreditam mesmo que estas paredes não têm olhos, não falam, que morreram sem guardar o espírito do vivido aqui? Não se trata de crença, a presença da nossa energia não se restringe ao tamanho do nosso corpo que se imiscui, desde o ato criador primal, na história do Universo”. Claro, não é possível imaginar que se traga um pozinho – jogado de fora, trazido por fadas – que transforme ratos em cavalos! As pessoas são o texto. Texto de “sangue e espírito’”, dizia Nietzsche. Delas, das suas experiências maiores do que qualquer outro educador, é preciso buscar o texto e entregar a outras pessoas, em forma de palavras comunicáveis, o sentido da esperança. Todo trabalho de pesquisador não é contar o que descobriu e anotou e viu... é buscar parir em texto com palavras que carreguem sentido e que façam circular coisas que estão ali. Precisa latejar dentro de nossas vidas e abrir o caminho para a aprendizagem significativa... Aquilo que Sócrates, imitando a parturição feita por sua mãe, chamava de maiêutica... traduzir o sentido que apalpo em minha vida posta em palavras e somada a todas as outras palavras e sentidos que circulam em outros corpos... Toda a aprendizagem precisa ser um “concertação” para agregar sentidos e densidade. Tenho medo que a organização gere artefatos e procedimentos que engomem, estruturem, gerem fórmulas, caminhos prontos, sobretudo que imaginem – o que para Freire era um monstrinho – a ‘educação’ feita por treinamento, memorização e reprodução ritual! Toda educação é um itinerário vivo. Um arrojo. Experiências que só existem nos corpos das pessoas do jeito que elas são. É só daí que emergem-em-fala, enunciam, apresentam e propagam, incendiando outras vidas. Um projeto de educação não é um conjunto de textos racionais e bem escritos. Terá de ser, sobretudo, uma expressão sinestesicamente7 incandescente, traduzível por todos os poros, todos os sentidos, na qual reconheçamos o que somos mesmos, de nós, de nosso cheiro, sabor, visagem, calor e limites. Toda vida é bela.



4. Em tempos de conservadorismos e de obscurantismos, quais os elementos o senhor indicaria para a construção e para a elaboração de um currículo emancipador, principalmente junto aos povos indígenas?


Direi o que fiz, concretamente, quando fui chamado à aldeia onde Luís e Nice vivem com o povo tupi, há quase cinquenta anos. Com o concurso de uma educadora de anos luz, a professora dra. Maria Aparecida Rezende que foi coordenadora do projeto de educação indígena na Universidade da Grande Dourados – a qual vivera anos com muitas etnias, sobretudo Xavante, Bororo, Kaiowa, Xinguanos – trabalhamos juntos com os muitos povos indígenas. Teríamos um grupo com dois povos, na aldeia Tapirapé: o povo tupi, marcado pelo silêncio, cuidado e doçura; e o povo Karajá – tronco linguístico Macro Gê – expressivos, fortes e guerreiros apaixonados. O curso preparava professores indígenas na aldeia. Nossa tarefa como convidados foi dar um curso de Filosofia, em torno de trinta ou mais horas, que os preparasse também para eventuais concursos de professores. Tratava-se de “Filosofia grega” – em verdade roubada dos Egípcios, na intenção de ver o que isso tinha com a vida desses povos. Propus-me, em diálogo com Cidinha, dar-lhes um conteúdo, fundante, sobre o que era epistemologia para um grego. Era uma grande síntese do modo de ver, de viver, de conhecer, de fazer, de sonhar e de projetar uma perspectiva que podia ser resumida na palavra aretê – virtude – no sentido da virtude como força, paradigma e grandeza. Muito mais do que um saber, era uma forma de fazer com que todas as coisas feitas nesse espírito se tornassem virtuosas. Então escolhi a palavra episteme/epistemologia como centralidade. Em grandes momentos de silêncio, murmúrio, troca de opiniões na língua, desenhos foram contando também histórias. Uma vaquinha na janela: perguntei. “Quando penso ‘vaca’, olhando-a, a ideia é minha ou da vaca!” Imaginem o resultado! Muito silêncio. Murmúrio. Fala um Karajá na língua, tudo quase inaudível. Idem, entre Tapirapé. Pediram tempo para desenho. Enfim, após mais ou menos três horas – agora em Português – “Professor a ideia é da cabeça minha, do meu pensamento, mas a imagem era a da vaquinha, que conhecemos...” Foram seis horas do curso! Propus: a palavra epistemologia era a busca de reconhecer a verdade. Ela sempre é uma virtude (aretê). Disse-lhes o que os gregos buscavam a verdade, o conhecimento que só era provado pela virtude. “A virtude não era um espírito virtuoso, mas um jeito de, em cada momento da vida, a gente agir de tal maneira que todas as coisas se tornem virtuosas”. Cada povo recordou seus anciãos. Voltava-se aos desenhos para os quais eles não tinham limite de tempo para terminar. Quando retornaram os seus resultados, a impressão é de que a atenção absorve cada pessoa, sem pressa, como se não houvesse tempo. Diziam: “Isso que o professor falou dos gregos era verdade, é isso que é vivido nas aldeias, sob orientação dos seus anciãos”. Eu queria mais. Sugeri que conversassem com os anciãos e mulheres Tapirapé. Pedi, então, para concluir: “gostaria que todos os sentidos que os gregos dão à palavra epistemologia sejam traduzidos por vocês em uma palavra que vocês criariam na sua língua e que digam o que é ‘EPISTEMOLOGIA’. Pedi aos Karajá, homens e mulheres de tronco linguístico macro gê, para nomearem isso. Pedi também na língua dos Tapirapé, língua tupi, a palavra que diga o que é Epistemologia ou Filosofia para os gregos. Essa palavra, obviamente, até então era inexistente para eles. Muito tempo se passou e enfim vieram no quadro e cada uma das etnias explicou o que a nova palavra deles dizia da Filosofia. Ela abrangia os mitos, o cotidiano, a vivência de virtude, as relações entre pessoas, os sentidos e exprimiam tudo o que eles tinham no seu sistema na vida das aldeias. Um antropólogo que morava com eles muito tempo e que coordenava o curso de formação de terceiro grau indígena gravou cinco pequenos vídeos de duas mulheres e três homens de depoimentos da avaliação final. O que eles diziam era: “nós aprendemos que todos somos filósofos e vivemos em outra filosofia diferente, que não é a dos gregos nem a dos não índios, mas que é feita da nossa vida no cotidiano e vivida por nós”. Havia uma forte emoção nos jovens homens e nas mulheres e em nós pelo processo. “Nós somos filósofos!” Vejam, era pura criação a partir da vida!


5. Como o senhor compreende o papel do educador na formação humana em um contexto de desumanização avassaladora como a que estamos vivenciando?


Acreditar nas contradições da história. Como em Marx, em Merleau-Ponty, em diálogo com Einstein e Prigogine, sobretudo nas forças das culturas que nascem no mais profundo das nossas animalidades doces. Tais forças trazem o que Merleau-Ponty diz do nosso Ser Selvagem, o qual não se dobra à civilização tanática8 e mortal. Fomos feito cópias por paradigmas educacionais que nos silenciaram, fazendo-nos pensar uma universalidade. O mais universal em nós não é nossa identidade comum, mas nossa diferença. Todos somos diversos. A cada dia, o processo capitalista para dominar exclui uma diferença em nós, de escalonamento etário, de classe, de gênero, de produção, de consumo, de reiteração de uma militarização e, por isso, de extermínio do diverso. O foco precisa ser o diverso. É por ele que se alcança a universalidade não excludente de nada, de ninguém. Os padrões postos, inclusive nos chamados ‘coletivos’, são sempre o reforço da perda da individualidade a partir de uma prevalecente unanimidade. Disse Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido: “Ninguém pode ser autenticamente humano se negar que outros também o sejam” (FREIRE, 1978, p.119). É o princípio da reciprocidade ética. É hora de acolher a diferença até o fim. Hora de esperança. Hora de saber que esse sistema, por ser o que é, não ficará como está – dizia (Leandro) Konder, na tradução do Brecht. Recentemente, Pepe Mujica, senador eleito no Uruguai, disse que não é bem de democracia que precisamos, é outra civilização voltada mais à vida e menos ao consumo. É hora de acolher toda a forma de ser no planeta como irmãos e irmãs nossas. Reconciliar-nos com aquilo que costumamos matar: o mar, as pedras, as florestas, as águas, os indígenas e os povos nativos, os quilombolas, os negros, os estrangeiros, os apátridas, os ciganos, os animais, ou seja, fazer dessa nova relação um maior acolhimento da nossa cidadania universal. Afirmar, sim, o acolhimento da diferença, jamais da desigualdade. Ao mesmo tempo, saber que a guerra do sistema nos confunde falando de uma universalidade que é a negação da política, da tensão e a arte de conviver com o diverso, sem virar a cabeça e acolher. Nesse sentido, o enérgico testemunho do Papa Francisco, contado aos prantos por uma pessoa cuja doença se expressava em uma forma de cabeça diferente, dizia: o papa me abraçou, me acarinhou, nem perguntou se era doença contagiosa ou se não era. Leia os depoimentos de natureza distinta, são emocionantes. A desumanização se vence também por deixar sentir a dor daquele que foi enganado, acreditando naquilo que fazia. É preciso não julgar as pessoas que apoiaram o atual presidente, como os praças, bombeiros, servidores da segurança, etc. Talvez elas só quisessem ver o outro lado da política no qual não estivessem tão marginalizados. No entanto, os comentários cobram-lhe uma decepção que não estava no horizonte deles. É preciso ter cuidado de não entrarmos no mesmo caminho de que as pessoas do bem não sejam também, em situações históricas, contraditórias. Nós somos contraditórios. É também fragilidade. A compreensão e a paz são fundamentais em níveis da violência institucional. A alegria e a esperança também não devem ser abandonadas. Marx, sempre como paradigma, aponta a liberdade, a justiça e o direito universal à fraternidade como utopia tópica. Nem todas as sociedades vivem da concentração e da desigualdade. É possível e necessário mudar. Descobrindo-nos como parte de todos os outros e outras, como filho e filhas da terra com todas as outras criaturas que fazem parte do HUMUS que a todos tudo, e todas nos fez e faz pessoas humusan@s. O projeto educacional é o processo político de invenção, dizia Arturo Paoli: parturiza a reconciliação das pessoas entre si com as coisas. Isso é o centro da palavra que o Papa Francisco expressa na comunhão eucarística, nas quais o corpo e o sangue são frutos do trabalho humano e de todas as coisas que nos irmanam na fraternidade. Toda a cultura das sociedades primaciais traz implícita a comunhão, costumeiramente negada, e o estímulo à dignidade afirmada de sermos iguais e com direitos iguais à participação e à comunhão. Foi o colonialismo que gerou a cesura, a morte e a descomunhão. Somente através da educação política é possível encontrar caminhos para superar a desigualdade e estimular a fraternidade e a sororidade entre pessoas humanas com a terra e com todas as criaturas das quais nenhum ser se aparta. Somos todos-tudo-e-todas UM. É momento de doçura com espírito na carne!


Referências:

ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução do jogo e às suas regras. São Paulo: Brasilense, 1981.


FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.


PASSOS, Luiz Augusto; CUNHA, Tereza Ramalho de Azevedo. Plumária de povos nativos: carnalidade-corpo próprio e sinestesia. In: WILLMS, Elni Elisa; BECCARI, Marcos; ALMEIDA, Rogério de (Orgs.). Diálogos entre arte, cultura & educação. São Paulo: FEUSP, 2019. p. 331-374. Disponível em: https://cenpec.org.br/wp-content/uploads/2019/05/dialogos-cultura-arte-educacao.pdf. Acesso em: 15 mar. 2020.


SOBRE OS ENTREVISTADORES


ANA LOLE é professora do Departamento de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), participa do Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia, Política e Educação (NuFiPE) vinculado à Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), está na Coordenação Nacional da International Gramsci Society Brasil (IGS-Brasil).

E-mail: analole@gmail.com


PERCIVAL TAVARES DA SILVA é professor aposentado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e educador popular na Baixada Fluminense (RJ). Fundador e participante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia, Política e Educação (NuFiPE) vinculado à Pós-Graduação em Educação da UFF. Possui pesquisa com ênfase na filosofia no meio popular e está associado à International Gramsci Society Brasil (IGS-Brasil).

E-mail: perci.ts@gmail.com


SOBRE O ENTREVISTADO


LUIZ AUGUSTO PASSOS é professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Filósofo e integrante do Grupo de Pesquisa de Movimentos Sociais e Educação da UFMT, realizando pesquisas na área da educação ambiental e dos movimentos sociais. Possui experiência em Educação Popular urbana e educação junto aos povos indígenas. Atua principalmente nos seguintes temas: educação e movimentos sociais, fenomenologia merleau pontyana, educação popular freireana e antropologia educacional.

Endereço eletrônico: http://luizaugustopassos.com.br.

E-mail: passospassos@gmail.com



Recebido em: 29.03.2020

Aceito em: 30.03.2020


1Padre Mira - João Manuel Lima Mira. Disponível em: https://www.wulinpraticasorientais.com.br/quem-somos-nos/padre-mira-joao-manuel-lima-mira/. Memorial de um jesuíta samurai místico. Disponível em: http://luizaugustopassos.com.br/memorias.

2 Foi a RENOV de Maria Nildes Mascellani que, junto com Elza Lobo, naquele mesmo período, assessorava a pedido de D. Pedro Casaldáliga a construção do currículo de formação dos professores do Ginásio do Araguaia. O curso de Planejamento foi de dois anos, concluí, sendo o único a entregar o trabalho de conclusão: “Os alunos e alunas da Escola-Fábrica”, assinado e carimbado por Madre Cristina.

3 Trabalhei na Secretaria de Justiça, em Mato Grosso, e participei do primeiro programa do PT Nacional no Centro Cajamar.

4 Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como “Gringo”, líder sindicalista de São Geraldo do Araguaia (PA), agente da Pastoral da Terra, ligado à Teologia da Libertação, foi assassinado em 29 de maio de 1980. Sem testemunhas, seu caso foi arquivado. Já no início de 2000, a Comissão de Anistia, ao analisar o caso, apurou que agentes do serviço secreto do exército acompanharam a trajetória sindical de Gringo desde 1972, início da Guerrilha do Araguaia.

5“Aí os paradigmas viram paradogmas...” (ALVES, 1981, p. 160).

6 Conduzir, abrir caminhos.

7 Reduzimos e nos empobrecemos da densidade sinestésica dos nossos corpos que, para entender uma sensação, deixam todas as outras silenciadas. “Não se pode compreender os sentidos como elementos separados, por áreas e gavetas específicas, que se manteriam, à falta de todos os outros. Em Merleau-Ponty só poderemos pensar um sentido como sinestesia,– osyn grego significa a junção inapartável,– de jugo, vínculo, localizado em múltiplas formas que enovelam sempre em tríplice dimensão, significações: topológicas, cromáticas e eidéticas que se grudam à nossa pele” (PASSOS; CUNHA, 2019, p. 354).

8Thanatos: mortífera, contagiosa.

Movimento-Revista de Educação, Niterói, ano 7, n.12, p. 230-247, jan/abr. 2020.



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