Netativismo e Indignação na Esfera Pública

João Carlos Correia

Resumo


Uma das consequências da aparição da sociedade em rede foi a diferenciação estrutural introduzida na noção de espaço público, verificada pelo impacto das redes sociais num ambiente comunicativo caracterizado pela aceleração significativa das trocas simbólicas, induzidas pelos meios digitais, nomeadamente redes sociais e comunicações móveis. Uma das características centrais desta diferenciação é a apropriação de modelos de comunicação alargada, desenvolvidos pelas redes sociais. Estes modelos de comunicação por um lado são potenciadores da construção, partilha e vivência alargada de experiências colaborativas. Por outro lado, refletem redes informais de comunicação que convergem num novo modelo de configuração hegemónica. Assim traduzem modelos contraditórios de globalização. Qual é a qualidade do discurso público e em que medida traduz um ganho epistêmico resultante do exercício dos modelos de comunicação colaborativa em rede? Que efeitos na comunicação pública são suscetíveis de serem identificados nos novíssimos movimentos sociais? Qual o significado do diálogo público nas novas condições de interação geradas por novos dispositivos e plataforma? De que forma as trocas simbólicas na rede expressam na sua materialidade a reconfiguração das estruturas do espaço público e da ação política? Qual o papel da literacia digital na possível reconfiguração destes modelos comunicativos? Tendo em conta as manifestações portuguesas de indignados contra a austeridade, questionamos o impacto dos media digitais no mundo da vida e na esfera publica online em tempos marcados por uma comunicação cada vez mais móvel. Segundo o ponto de vista adotado, a comunicação online e o desmpenho do utilizador num ambiente móvel produziram uma vasta quantidade de possibilidades relacionadas com a configuração da ação coletiva no espaço público que reflectem as vicissitudes induzidas pela nova ecologia mediática.

Palavras-chave


Netavismo; Esfera Pública; Movimentos Sociais; Europa

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DOI: https://doi.org/10.22409/ppgmc.v9i9.9778

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