Filhos da Informalidade - Sobrevivência, Resistência e Trajetórias no Comércio Informal da Cidade do Rio de Janeiro
Abstract
A presente pesquisa tem como ponto de partida a vivência da autora no comércio informal, atuando como camelô no Camelódromo da Uruguaiana, no centro do Rio de Janeiro. A escolha do campo de estudo está diretamente relacionada a uma trajetória pessoal e familiar marcada pela sobrevivência, pelo trabalho informal e pela constante reinvenção frente à ausência de oportunidades formais. O estudo busca compreender os fatores que levam indivíduos a ingressar e permanecer no comércio ambulante, analisando o surgimento do camelô a partir de elementos como necessidade, acaso e falta de alternativas. A metodologia utilizada é de natureza etnográfica e observação participante. Articulando observações de campo, entrevistas e reflexões ancoradas na experiência direta da pesquisadora. A investigação propõe uma análise comparativa entre os camelôs da Uruguaiana e de outros territórios populares do Rio de Janeiro, destacando as dinâmicas sociais, econômicas e afetivas que estruturam o cotidiano desses trabalhadores. Ao rememorar episódios da infância e juventude vividos no contexto da informalidade, como a venda de produtos sazonais e a participação na comercialização de mídias piratas. A autora evidencia as fronteiras entre o informal e o ilegal. Além disso, discute os riscos enfrentados pelos camelôs, como repressões da Guarda Municipal, perdas de mercadoria e vulnerabilidades diversas. O trabalho propõe, assim, uma valorização crítica da figura do camelô como sujeito histórico e político, cuja atuação revela formas legítimas de resistência, agência e produção de renda nas cidades.
Palavras-chave: Camelô; Comércio informal; Uruguaiana; Informalidade, Ilegalidade.
