Desejos Coloniais

A fantasia erótica de Gilberto Freyre no cinema brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/contracampo.v41i1.52792

Palavras-chave:

Cinema brasileiro, Colonialidade, Desejo

Resumo

Se em Xica da Silva (1976, Cacá Diegues) a fantasia erótica de Gilberto Freyre é acionada de modo a exaltar a luxúria e a violência do período colonial através de uma personagem negra sexualizada, em O Clube dos Canibais (2018, Guto Parente) ela sofre uma espécie de dobra, aludindo às tensões raciais do país a partir de cenas de sadismo dos brancos e do aniquilamento dos negros e mestiços. A partir dos escritos de Denise Ferreira da Silva (2006) sobre identidade brasileira e racialidade, pretendemos analisar a trajetória do desejo colonial no cinema brasileiro, especialmente, na produção contemporânea, que vem ressignificando a narrativa freyreana.

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Biografia do Autor

Leon Orlanno Lôbo Sampaio, Universidade Federal de Pernambuco / Doutorando

Leon Sampaio é graduado em Cinema e Audiovisual pela UFRB, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA e atualmente faz doutorado em Comunicação na UFPE. Em sua pesquisa investiga sobre colonialidade e branquitude  no cinema brasileiro contemporâneo. É também realizador audiovisual, dirigiu os longas-metragens "Eu, empresa" e "Gente Bonita", e os curtas "Peito Vazio", "Interdito", "O Cadeado" e "Retomada", que foram selecionados e premiados em diversos festivais nacionais e internacionais.

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Publicado

2022-05-01