O populismo como chave interpretativa. Disputas conceituais e tensões democráticas na Argentina e no México (séculos XX–XXI)
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20550142Resumo
O artigo analisa o populismo na América Latina como um reflexo das contradições democráticas, concentrando-se nos casos do ciclo kirchnerista (2003-2015) na Argentina e do governo de Andrés Manuel López Obrador (2018-2024) no México. Em primeiro lugar, propõe-se uma análise da evolução do conceito de populismo desde suas origens na década de 1930, com figuras como Lázaro Cárdenas e Juan Domingo Perón, passando pelas teorias de Gino Germani e Torcuato Di Tella, Jorge Basurto e Arnaldo Córdova, até as abordagens mais recentes, como as de Ernesto Laclau. O artigo prossegue examinando como o termo tem sido utilizado com conotações negativas na mídia e em produções acadêmicas, particularmente em dois livros recentes que compilam ambas as experiências políticas. Enquanto no caso argentino o termo populismo aparece pouco explicitamente, mesmo quando seus significados estão presentes, no mexicano ele é utilizado explicitamente para caracterizar o lopezobradorismo. O trabalho sugere que esse uso acadêmico interessado pode obstruir outras dinâmicas importantes desses complexos fenômenos políticos, como suas dimensões participativas ou distributivas.