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Chamada para o Dossiê Educação Popular, Favelas e Periferias: mercantilização da cidade e resistências

A educação popular emerge ao longo do século XX na América Latina como um movimento de educação relacionado a um amplo movimento sociocultural e não apenas um desdobramento de teorias e métodos. Há muitas disputas e tensões em torno da denominação educação popular, ora tida como educação do povo feita pelo Estado, com o objetivo de “adaptá-lo” à modernização conservadora, ora relacionada à uma forma libertadora de educar para favorecer o protagonismo dos oprimidos a partir da ação dos movimentos sociais. Nos contextos urbanos, a educação popular ganha força nas favelas, ocupações sem-teto e diversos outros territórios periféricos marcados pela conformação desigual das cidades. A favelização e periferização geraram especificidades sobre o modo de fruir a existência no plano urbano, demarcado pela condição de serem os territórios do substrato mais precarizado da classe trabalhadora, assim como alvo das ações mais violentas do Estado, mediante a criminalização da pobreza e o racismo estrutural.
No contexto atual, o modelo de cidade-mercado, aprofunda as consequências da crise internacional do capital e da pandemia da Covid-19, pois a violência urbana, a segregação espacial, a ampliação da desigualdade social e a retirada de direitos sociais impõem uma onda de retrocessos à classe trabalhadora das favelas e periferias. No entanto, resistências são produzidas nos diferentes territórios periféricos na América Latina: ações de comunicação comunitária, de defesa da diversidade cultural, de apoio mútuo entre trabalhadoras e trabalhadores, ações que se contrapõem ao modelo de cidade mercantilizado. Nesse momento, são diversos os movimentos sociais que vêm promovendo iniciativas de educação popular para enfrentar a disseminação da Covid-19 nos territórios periféricos.
Diante disso, o Dossiê Educação Popular, Favelas e Periferias: mercantilização da cidade e resistências, propõe debater sobre o processo de urbanização de mercado realizado na América Latina e as resistências produzidas por movimentos sociais e coletivos comunitários. De maneira a abordar os fenômenos de favelização e periferização, tendo em vista as ações de políticas públicas, a participação de movimentos sociais e agências civis nas suas mais variadas formas. A educação popular e as lutas sociais, portanto, são fios condutores para se compreender os tipos de cidadania que estão em jogo na atualidade, assim como na própria história de construção das favelas e periferias.
Tópicos orientadores à discussão proposta:
· Reformas urbanas.
· Movimentos sociais urbanos.
· Educação popular nos centros urbanos.
· Favelas e periferias durante a pandemia: resistências e controle social.
· Organismos empresariais e suas atuações nas favelas e periferias.
· Saúde no contexto das favelas e periferias.