DIGITALIZAÇÃO DO URBANO: BIG TECHS, DATA CENTERS E A ESPACIALIDADE DA COMPUTAÇÃO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2026.v28i61.a72390

Palavras-chave:

data centers, energia, Inteligência Artificial, stress hídrico, Sul Global, urbano

Resumo

Para o senso comum, muitas vezes, o que acontece digitalmente parece se dar no ar, num ambiente etéreo, intangível, sem materialidade e descolado do mundo. Já em parte significativa da literatura acadêmica, é bastante recorrente a ideia de que o espaço perde a relevância nas discussões sobre o digital. Ao mesmo tempo, as big techs escondem, como podem, o caráter espacializado de sua indústria. O presente artigo tem o objetivo de situar essa espacialização e a relevância da geografia dentro deste debate, abarcando a infraestrutura da computação – backbones, data centers de hiperescala, treinamento de Inteligência Artificial –, seus impactos e custos ambientais. Para tal, a pesquisa se baseou, sobretudo, na revisão bibliográfica, avançando o debate pela aproximação de campos de estudo distintos, procurando articular digitalização, urbanização, infraestrutura tecnológica e espacialidade. Como resultado, a pesquisa aponta que a tendência recente é de que os países do Sul Global passem a fornecer cada vez mais os recursos naturais, a energia e a ampla extensão de terra exigidos para a sustentação da computação que o treinamento de IA exige. Num movimento final, o artigo foca mais explicitamente no espaço urbano atravessado pelas dinâmicas da digitalização.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

BAITZ, Ricardo. (2023). Senhas para as cidades inteligentes. In: DAMIANI, Amélia e BAITZ, Ricardo (orgs.) Atravessando a geografia, Marx, Lefebvre e os Situacionistas (vol. 2). São Paulo: Editora Tiragem Livre.

BANK OF AMERICA. (2025). Power Check: Watt’s going on the grid? Disponível em: https://institute.bankofamerica.com/content/dam/transformation/us-electrical-grid.pdf.

BERTOLLO, Mait. (2019). A capilarização das redes de informação no território brasileiro pelo smartphone. São Paulo: Tese (Geografia Humana), Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

BRIDLE, James. (2019). A nova idade das trevas: a tecnologia e o fim do futuro. São Paulo: Todavia.

CLEANBRIDGE. (2025). Global Data Center Market Report: Regional Market Overviews, Brazil. Disponível em: https://www.cleanbridge.co/insights/energy-transition/cleanbridge-global-data-center-market-report-2025/regional-market-overviews-gdc2025/brazil-gdc2025/.

EPE. Empresa de Pesquisa Energética. (2024). Anuário estatístico de energia elétrica. Disponível em: https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-160/topico-168/anuario-factsheet-2024.pdf.

FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. (2023). Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. São Paulo: Boitempo.

FERRARI, Terezinha. (2008). Fabricalização da cidade e ideologia da circulação. São Paulo: Coletivo Editorial.

FISHER, Max. (2023). A máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo. São Paulo: Todavia.

GARAPON, Antoine e LASSÈGUE, Jean. (2021) Le numérique contre le politique: crise de l’espace et reconfiguration des médiations cociales. Paris: Presses Universitaires de France.

HALL, Stuart. (2009). Representation: Cultural Representations and Signifying Practices. Londres: Sage Publications.

HAN, Byung-Chul. (2018). No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Editora Vozes.

HAN, Byung-Chul. (2019). Topologia da violência. Petrópolis: Editora Vozes.

HAN, Byung-Chul. (2021). Sociedade paliativa: a dor hoje. Petrópolis: Editora Vozes.

HAN, Byung-Chul. (2022a). A expulsão do outro: sociedade, percepção e comunicação hoje. Petrópolis: Editora Vozes.

HAN, Byung-Chul. (2022b). Não-coisas: reviravoltas do mundo da vida. Petrópolis: Editora Vozes.

HAN, Byung-Chul. (2022c). Infocracia: digitalização e a crise da democracia. Petrópolis: Editora Vozes.

HAN, Byung-Chul. (2023). Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Belo Horizonte: Editora Âyiné.

HAO, Karen. (2025). Empire of AI: Dreams and Nightmares in Sam Altman’s OpenAI. New York: Penguin Press.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2022). Censo Demográfico 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/22827-censo-demografico-2022.html.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. (2023). Energy and AI: Executive Summary. Disponível em: https://www.iea.org/reports/energy-and-ai/executive-summary.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. (2025). Global Critical Minerals Outlook 2025. Disponível em: https://iea.blob.core.windows.net/assets/ef5e9b70-3374-4caa-ba9d-19c72253bfc4/GlobalCriticalMineralsOutlook2025.pdf. Disponível em: https://www.iea.org/reports/energy-and-ai/executive-summary.

IVAIN, Gilles. (2003). Formulário para um Novo Urbanismo. In: JACQUES, Paola Berenstein (org.). Apologia da Deriva: Escritos Situacionistas Sobre a Cidade. Rio de Janeiro: Casa da Palavra.

LATOUR, Bruno. (2001). A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru, SP: Edusc.

MICROSOFT. (2024). Microsoft Datacenters in Brazil. Disponível em: https://local.microsoft.com/wp-content/uploads/2024/04/Microsoft-datacenters-in-Brazil.pdf.

MORDOR INTELLIGENCE. South America Artificial Intelligence (AI) Data Center Market Size & Share Analysis – Growth Trends and Forecast (2025–2030). Disponível em: https://www.mordorintelligence.com/industry-reports/south-america-artificial-intelligence-ai-data-center-market.

MOROZOV, Evgeny. (2023). Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Ubu Editora.

MORTON, Timothy. (2013). Hyperobjects: Philosophy and Ecology after the End of the World. Estados Unidos: University of Minnesota Press.

NTU. Associação Nacional de Empresas de Transporte de Ônibus. (2025). Anuário NTU 2024–2025. Disponível em: https://www.mobilize.org.br/midias/pesquisas/anuario-ntu-2024-2025.pdf.

PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. (2013). A globalização da natureza e a natureza da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

SENADO. (2025). Debate sobre terras raras aponta necessidade de investimentos. Agência Senado. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/09/17/debate-sobre-terras-raras-aponta-necessidade-de-investimentos.

TELEGEOGRAPHY. (2025). Submarine Cable Map. Disponível em: https://www.submarinecablemap.com/.

TOZI, Fábio (org.). (2023). Plataformas digitais e novas desigualdades socioespaciais. São Paulo: Editora Max Limonad.

Downloads

Publicado

2026-10-27

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

DIGITALIZAÇÃO DO URBANO: BIG TECHS, DATA CENTERS E A ESPACIALIDADE DA COMPUTAÇÃO. GEOgraphia, Niterói, v. 28, n. 61, 2026. DOI: 10.22409/GEOgraphia2026.v28i61.a72390. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geographia/article/view/72390. Acesso em: 6 nov. 2026.