DIGITALIZAÇÃO DO URBANO: BIG TECHS, DATA CENTERS E A ESPACIALIDADE DA COMPUTAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2026.v28i61.a72390Palavras-chave:
data centers, energia, Inteligência Artificial, stress hídrico, Sul Global, urbanoResumo
Para o senso comum, muitas vezes, o que acontece digitalmente parece se dar no ar, num ambiente etéreo, intangível, sem materialidade e descolado do mundo. Já em parte significativa da literatura acadêmica, é bastante recorrente a ideia de que o espaço perde a relevância nas discussões sobre o digital. Ao mesmo tempo, as big techs escondem, como podem, o caráter espacializado de sua indústria. O presente artigo tem o objetivo de situar essa espacialização e a relevância da geografia dentro deste debate, abarcando a infraestrutura da computação – backbones, data centers de hiperescala, treinamento de Inteligência Artificial –, seus impactos e custos ambientais. Para tal, a pesquisa se baseou, sobretudo, na revisão bibliográfica, avançando o debate pela aproximação de campos de estudo distintos, procurando articular digitalização, urbanização, infraestrutura tecnológica e espacialidade. Como resultado, a pesquisa aponta que a tendência recente é de que os países do Sul Global passem a fornecer cada vez mais os recursos naturais, a energia e a ampla extensão de terra exigidos para a sustentação da computação que o treinamento de IA exige. Num movimento final, o artigo foca mais explicitamente no espaço urbano atravessado pelas dinâmicas da digitalização.
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