IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS COM TEMPERATURAS AMENAS NO NORDESTE SETENTRIONAL BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2026.v28i61.a66432Palavras-chave:
Nordeste setentrional, Semiárido brasileiro, Áreas de exceção, geoprocessamentoResumo
Essa pesquisa teve por objetivo principal identificar e mapear as áreas com temperaturas mais amenas (frescas) do Nordeste setentrional brasileiro. Para comparar dados de geoprocessamento com dados climáticos de superfície, foram selecionados municípios situados em altitudes superiores a 500 metros nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Modelos Digitais de Elevação (MDE) e a plataforma Google Earth Engine foram usados para mapear as cotas altimétricas e aplicar o gradiente térmico vertical, que ajusta a temperatura conforme a altitude. Os resultados mostram que as áreas serranas possuem temperaturas médias anuais ~22,7 ºC enquanto nas depressões adjacentes esse valor é pelo menos 4 ºC mais elevado. Foi confirmada uma correlação inversa entre altitude e temperatura por meio da interpolação de dados climáticos em áreas sem cobertura de estações climatológicas. A análise de dados de temperatura de superfície capturados pelos satélites LANDSAT validou essas estimativas, evidenciando a precisão das geotecnologias na representação espacial dos dados térmicos. O estudo ressalta a importância das áreas elevadas como refúgios ecológicos no semiárido, sugerindo que essas regiões possuem potencial para uso sustentável devido ao clima mais ameno e à maior disponibilidade hídrica em função da orografia.
Downloads
Referências
AB’SÁBER, A. N. (1974). O domínio morfo-climático semi-árido das caatingas brasileiras. São Paulo: IGEOGU-USP. 34 p. (Geomorfologia, 43).
AB’SÁBER, A. N. Nordeste sertanejo: a região semiárida mais povoada do mundo. Revista Estudos Avançados, São Paulo, v. 13, n. 36, p. 7-59, 1999.
AB’SÁBER, A. N. (2003). Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. 10. ed. São Paulo: Ateliê Editorial.
ALBANO, C.; GIRÃO, W. Birds of humid forests of the mountains of Aratanha, Baturite and Marazion, Ceará. Revista Brasileira de Ornitologia, [S. l.], v. 16, n. 33, p. 13, 2013.
AQUINO, A. M. de; NETTO, A. L.; ASSIS, R. L. de. (2018). Desenvolvimento sustentável em ambientes de montanha: estratégias e experiências. Seropédica: Embrapa Agrobiologia; Niterói: Programa Rio Rural.
BARATTO, J. et al. Metodologia para a estimação da temperatura do ar em função da altitude a partir de dados de perfil topoclimático. Revista Brasileira de Climatologia, [S. l.], v. 30, p. 112-132, 2022. DOI: https://doi.org/10.55761/abclima.v30i18.14789.
BARBOSA, C. C. F. et al. (1998). Operadores Zonais em Álgebra de Mapas e Sua Aplicação a Zoneamento Ecológico-Econômico. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR), 9., 1998, Salvador. Anais... São José dos Campos: INPE.
BARRY, R. G.; CHORLEY, R. J. (2013). Atmosfera, Tempo e Clima. 9. ed. Tradução: Ronaldo Cataldo Costa. Porto Alegre: Bookman.
CABRAL JÚNIOR, J. B.; BEZERRA, B. G. Análises da evapotranspiração de referência e do índice de aridez para o Nordeste do Brasil. Revista de Geociências do Nordeste, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 71–89, 2018. DOI: https://doi.org/10.21680/2447-3359.2018v4n1ID14746.
COSTA, Júlio César da Silva. (2006). Caracterização geológica e geomorfológica da porção sul do município de Caicó/RN, com base em imagens de sensores remotos ativos e passivos. Relatório de Pesquisa (Geologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.
EROS. Earth Resources Observation and Science (EROS) Center. (2020). Landsat 4-5 Thematic Mapper Level-2, Collection 2 [dataset]. U.S. Geological Survey. DOI: https://doi.org/10.5066/P9IAXOVV.
FARIA, R. M.; LUCENA, R. L.; SOUZA, S. F. F. de. Mapeamento do conforto térmico no estado do Rio Grande do Norte. Revista de Geografia, [S. l.], v. 12, n. 2, p. 113-138, dez. 2022. DOI: https://doi.org/10.34019/2236-837X.2022.v12.39223.
FARR, T. G. et al. The Shuttle Radar Topography Mission. Reviews of Geophysics, [S. l.], v. 45, n. 2, 2007. DOI: https://doi.org/10.1029/2005RG000183.
FLORENZANO, T. G. (2011). Iniciação em Sensoriamento Remoto. São Paulo: Oficina de Texto.
FOROOSHANI, M. E. et al. Creating air temperature models for high-elevation desert areas using machine learning. Journal of Computational Innovation and Analytics, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 1-19, 2023. DOI: https://doi.org/10.32890/jcia2023.2.1.1.
FRITZSONS, E.; MANTOVANI, L. E.; DE AGUIAR, A. V. Relação entre altitude e temperatura: uma contribuição ao zoneamento climático no estado do Paraná. Revista de Estudos Ambientais, [S. l.], v. 10, n. 1, p. 49–64, 2008. DOI: https://doi.org/10.7867/1983-1501.2008v10n1p49-64.
FRITZSONS, E.; WREGE, M. S.; MANTOVANI, L. E. Altitude e temperatura: estudo do gradiente térmico no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Climatologia, [S. l.], v. 16, p. 108-119, jan./jun. 2015. DOI: https://doi.org/10.5380/abclima.v16i0.39665.
INMET – Instituto Nacional de Meteorologia. (1981–2010). Normais Climatológicas. Disponível em: [link do Inmet]. Acesso em: ago. 2024.
JENSEN, J. R. (2009). Sensoriamento Remoto do Ambiente: uma perspectiva em recursos terrestres. São José dos Campos: Parentese.
JUNIOR, R. R. dos S.; CARACRISTI, I. Análise climática do maciço de Baturité (CE): subsídio ao planejamento e gestão ambiental. Ciência Geográfica, [S. l.], v. 26, n. 4, p. 2227-2258, 2022. DOI: https://doi.org/10.57243/26755122.XXVI4024.
LICHSTON, J. E. et al. (2023). Life Despite Drought in the Brazilian Semiarid. In: SINGH, V. P. et al. (org.). Integrated Drought Management. Flórida: Routledge & CRC Press. v. 1, p. 607-627.
LUCENA, R. L. Semiaridity and rainfall variability in northeastern Brazil. International Journal Semiarid, [S. l.], v. 6, p. 87-97, 2023. DOI: https://doi.org/10.56346/ijsa.v6i6.164.
LUCENA, R. L. et al. The Influence of Altitude on the Climate of Semiarid Areas: Contributions to Conservation. The International Journal of Climate Change: Impacts and Responses, [S. l.], v. 14, p. 81-93, 2022. DOI: https://doi.org/10.184048/1835-7156/CGP/v14i02/81-93.
LUCENA, R. L. et al. The climate and climatological water balance of Brazilian semi-arid mountainous areas and inland depression. Revista Agrogeoambiental, [S. l.], v. 16, p. e20241833, 2024. DOI: https://doi.org/10.18406/2316-1817v16nunico20241833.
MARSHALL, S. et al. Near-surface-temperature lapse rates on the Prince of Wales Icefield, Ellesmere Island, Canada: implications for regional downscaling of temperature. International Journal of Climatology, [S. l.], v. 27, n. 3, p. 385-398, 2007. DOI: https://doi.org/10.1002/joc.1396.
MEDEIROS, J. F. de. (2016). Da Análise Geossistêmica à Serra dos Martins: Contribuição Teórico Metodológica aos Brejos de Altitude. Tese (Doutorado em Geografia) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.
MEDEIROS, J. F. de; CESTARO, L. A. As diferentes abordagens utilizadas para definir brejos de altitude, áreas de exceção do Nordeste brasileiro. Sociedade e Território, Natal, v. 31, n. 2, p. 97–119, 2019. DOI: https://doi.org/10.21680/2177-8396.2019v31n2ID16096.
MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, M. (2007). Climatologia: Noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos.
MILANESI, M. A.; GALVANI, E. (2009). A chuva orográfica no Parque Estadual de Ilhabela: (PEIb - SP) - Estrada de Castelhanos. In: Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 13., 2009, Viçosa, MG. Anais... Viçosa, MG: UFV.
NASCIMENTO, A. C. L. do et al. Comparison between Air Temperature and Land Surface Temperature for the City of São Paulo, Brazil. Atmosphere, [S. l.], v. 13, n. 3, p. 491, 2022. DOI: https://doi.org/10.3390/atmos13030491.
OLIVEIRA, D. A. de; ROSA, R. (2013). Temperatura de superfície obtida com técnicas de geoprocessamento. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR), 16., 2013, Foz do Iguaçu. Anais... São José dos Campos: INPE.
PINA, M. F.; SANTOS, S. M. (2000). Conceitos básicos de Sistemas de Informação Geográfica e Cartografia aplicados à saúde. Brasília: OPAS. 122 p.
PORTO, K. C.; CABRAL, J. J. P.; TABARELLI, M. (2004). Brejos de Altitude em Pernambuco e Paraíba: História Natural, Ecologia e Conservação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente.
REIS, A. C. Clima da caatinga. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 48, p. 325-335, 1976.
RODRIGUES, P. C. G. et al. Ecologia dos Brejos de Altitude do Agreste de Pernambuco. Revista de Geografia, Recife, v. 25, n. 3, p. 20-34, 2009.
SÁ, I. B.; SILVA, A. S. (ed.). (2010). Semiárido brasileiro: pesquisa, desenvolvimento e inovação. Petrolina: Embrapa Semiárido.
SOUZA, M. J. N. de; OLIVEIRA, V. P. V. de. Os enclaves úmidos e sub-úmidos do semi-árido do Nordeste brasileiro. Mercator, Fortaleza, v. 5, n. 9, nov. 2008.
STEINKE, V. A.; STEINKE, E. T.; SAITO, C. H. Estimativa da temperatura de superfície em áreas urbanas em processo de consolidação: reflexões e experimentos em Planaltina-DF. Revista Brasileira de Climatologia, [S. l.], v. 6, p. 37-56, 2010. DOI: https://doi.org/10.5380/abclima.v6i0.25604.
SUDENE. (2021). Delimitação do Semiárido – 2021: relatório final. Recife: SUDENE.
TOMLIN, C. D. Map algebra: one perspective. Landscape and Urban Planning, [S. l.], v. 30, n. 1-2, p. 3-12, 1994.
YNOUE, R. Y. et al. (2017). Meteorologia: noções básicas. São Paulo: Oficina de Textos.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 GEOgraphia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original, não tendo sido submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou em sua totalidade. Declaro, ainda, que uma vez publicado na revista GEOgraphia, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense, o mesmo jamais será submetido por mim ou por qualquer um dos demais co-autores a qualquer outro periódico. E declaro estar ciente de que a não observância deste compromisso submeterá o infrator a sanções e penas previstas na Lei de Proteção de Direitos Autorias (Nº9609, de 19/02/98).
O autor concede e transfere, total e gratuitamente, ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense em caráter permanente, irrevogável e não exclusivo, todos os direitos autorais patrimoniais não comerciais referentes aos artigos científicos publicados na revista GEOgraphia. Os textos assinados são de responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores e dos membros do Conselho Editorial da revista.

Os trabalhos publicados estão simultaneamente licenciados com uma licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.