COLAPSO DO SISTEMA DE PÚBLICO DE ABASTECIMENTO E A FORMAÇÃO DE MERCADOS DE ÁGUA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2026.v28i60.a62462

Palavras-chave:

Mercados informais de água, ecologia política da água, Paraíba, cidadania hídrica

Resumo

O artigo avalia a dinâmica dos mercados de água na cidade de Cuité, localizada no Semiárido da Paraíba, estabelecidos em virtude do colapso do sistema de abastecimento público no período de 2017 a 2022. A incapacidade do Estado em assegurar o fornecimento de água na referida cidade, contribuiu para que a população buscasse soluções alternativas, como a compra de água nos mercados informais e o seu armazenamento em estruturas precárias. A análise se concentrou em sete vendedores de água, destacando a diversidade de suas práticas e a capacidade destes em se adaptarem ao cenário de limitações de acesso à água na região. Os resultados mostram que os mercados informais, ao oferecerem soluções imediatas para o colapso no abastecimento público de água, também revelaram falhas na gestão dos recursos hídricos e a profunda desigualdade de acesso à água no semiárido. O que ilustra como os desafios enfrentados na cidade de Cuité se inserem em um contexto global de debates a respeito da privatização dos serviços de abastecimento de água, e a necessidade de políticas hídricas que promovam uma cidadania hídrica.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

AESA (2020). Volume de açudes. Açude Boqueirão do Cais. João Pessoa: AESA. Disponível em: http://www.aesa.pb.gov.br/aesa-website/monitoramento/volume-acude/?id_acude=2997. Acessado em: 1 fev. 2024.

ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P. C.; GONÇALVES, J. L. M.; SPAROVEK, G. (2013). Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, p. 711-728. Disponível em: https://doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507.

BAKKER, K. (2003). A political ecology of water privatization. Studies in Political Economy, v. 70, n. 1, p. 35-58. https://doi.org/10.1080/07078552.2003.11827129.

BAKKER, K. (2007). The “Commons” versus the “commodity”: alter-globalization, anti-privatization and the human right to water in the Global South. Antipode, v. 39, n. 3, p. 430-455. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1467-8330.2007.00534.x.

BARDIN, L. (2004). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

BECK, C. G.; CUNHA, L. H. H. (2017). As múltiplas faces da comodificação e a constituição da crítica acerca das práticas de consumo contemporâneas. Ciências Sociais Unisinos, v. 53, n. 1, p. 136-147. Disponível em: https://doi.org/10.4013/csu.2017.53.1.14.

BECKER, B. K. (2005). Geopolítica da Amazônia. Estudos Avançados, v. 19, n. 53, p. 71-86. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-40142005000100005.

BJORNLUND, H. (2004). Formal and informal water markets: drivers of sustainable rural communities? Water Resources Research, v. 40, n. 9, p. 1-12. Disponível em: https://doi.org/10.1029/2003WR002852.

BORDALO, C. A. (2006). O desafio das águas numa metrópole Amazônia: uma reflexão das políticas de proteção dos mananciais da Região Metropolitana de Belém-PA (1984-2004). 335 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) – Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém. Disponível em: https://www.repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/3718. Acessado em: 1 fev. 2024.

CABRAL, M, B. (2016). Geoeconomia da Paraíba: condicionantes para o desenvolvimento sustentável. Campina Grande: EdUEPB.

CAIN, A. (2018). Informal water markets and community management in peri-urban Luanda, Angola. Water International, v. 43, n. 2, p. 205-216. Disponível em: https://doi.org/10.1080/02508060.2018.1434958.

CASTRO, J. E. (2016). Desigualdad estructural y determinación social. Waterlat-Gobacit Network Working Papers, v. 3, n. 9, p. 8-23. Disponível em: https://ri.conicet.gov.ar/handle/11336/62974. Acessado em: 1 fev. 2024.

CASTRO, J. E. (2020). A água (ainda) não é uma mercadoria: aportes para o debate sobre a mercantilização da água. In: ______. Água e democracia na América Latina. Campina Grande: EdUEPB, p. 355-396. Disponível em: http://books.scielo.org/id/tn4y9/pdf/castro-9788578794866-12.pdf. Acessado em: 13 mar. 2021.

CASTRO, J. E.; SILVA, J. I. A. O.; CUNHA, L. H. (2017). Os Desafios do paradigma da “cidadania” hídrica na América Latina: conflitos, estado e democracia. Prim@ Facie, v. 16, n. 32, p. 1-39. Disponível em: https://doi.org/10.22478/ufpb.1678-2593.2017v16n32.34247.

CUNHA, L. H. (2020). Desigualdades nos padrões de acesso à água e limites da cidadania hídrica em comunidades rurais do semiárido. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 55, p. 99-116. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5380/dma.v55i0.73371.

CUNHA, L. H; MIRANDA, R. S; ARAÚJO, D. C. (2020). Mercados informais de água no semiárido paraibano. In: TEISSERENC, P; TEISSERENC, M. J. S. A; ROCHA, G. M (Org.). Gestão da água: desafios sociopolíticos e sociotécnicos da Amazônia e no Nordeste brasileiros. Belém: EdUFPA, p. 392-420.

IBGE. (2024). Cuité. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pb/cuite/panorama. Acessado em: 13 maio 2024.

KJELLÉN, M.; MCGRANAHAN, G. (2006). Informal water vendors and the urban poor. International Institute for Environment and Development, p. 1-26. Disponível em: https://www.iied.org/sites/default/files/pdfs/migrate/10529IIED.pdf. Acessado em: 1 fev. 2024.

KOOY, M.; BAKKER, K. (2008). Splintered networks: the colonial and contemporary waters of Jakarta. Geoforum, v. 39, n. 6, p. 1843-1858. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.geoforum.2008.07.012.

MARQUES, A. L.; COSTA, C. R. G.; RIBEIRO, J. K. N. (2017). El niño e la ninã em áreas produtoras de água: a seca na microbacia de Brejo de Altitude Vaca Brava (PB). In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA DIVERSIDADE DO SEMIÁRIDO, 2., 2017, Campina Grande. Anais... Campina Grande: Realize Eventos, 2017. v. 1. p. 1-6. Disponível em: https://www.editorarealize.com.br/index.php/artigo/visualizar/33471. Acessado em: 13 maio 2024.

MARQUES, A. L.; SOUZA, B. I.; MACEDO, R. S.; MOURA, D. C. (2024). Ferralsols and plinthosols derived from the degradation of crusts of the Serra dos Martins formation in the brazilian semiarid region. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v. 16, n. 2, p. e3094. Disponível em: https://doi.org/10.55905/cuadv16n2-007.

MARTINEZ-ALIER, J. (2018). O ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de valoração. 2. ed. São Paulo: Contexto.

MIRANDA, R. S. (2011). Ecologia política da soja e processos de territorialização no Sul do Maranhão. 203 f. Tese (Tese de Doutorado em Ciências Sociais) – Centro de Humanidades, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande. Disponível em: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/2128. Acessado em: 1 fev. 2024.

PEREZ-MARIN, A. M.; SANTOS, A. P. S. (Coord.). (2013). O semiárido brasileiro: riquezas, diversidades e saberes. Campina Grande: INSA.

PORTO-GONÇALVES, C. W. (2006). A globalização da natureza e a natureza da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

QUEIROZ, J. T. M. (2011). O Campo das águas envasadas: determinantes, consequências socioambientais, políticas públicas, qualidade das águas e percepções. 254 f. Tese (Doutorado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos) – Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/ENGD-8KYMBQ. Acessado em: 1 fev. 2024.

RAINA, A.; GURUNG, Y.; SUWAL, B. (2018). Equity impacts of informal private water markets: case of Kathmandu Valley. Water Policy, v. 22, n. 1, p. 189-204. Disponível em: https://doi.org/10.2166/wp.2018.138.

SOUZA, M. L. (2019). Ambientes e territórios: uma introdução à ecologia política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019.

SOUZA-LIMA, J. E. (2004). Economia ambiental, ecológica e marxista versus recursos naturais. Revista FAE, v. 7, n. 1, p. 119-127. Disponível em: https://revistafae.fae.edu/revistafae/article/view/438. Acessado em: 1 fev. 2024.

SWYNGEDOUW, E. (2004). Privatizando o H2O: transformando águas locais em dinheiro global. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 6, n. 1, p. 33-53. Disponível em: https://doi.org/10.22296/2317-1529.2004v6n1p33.

SWYNGEDOUW, E.; KAÏKA, M.; CASTRO, J. E. (2016). Água urbana: una perspectiva ecológico política. Waterlat-Gobacit Network Working Papers, v. 3, n. 7, p. 11-35. Disponível em: https://ri.conicet.gov.ar/handle/11336/62974. Acessado em: 1 fev. 2024.

VENKATACHALAM, L. (2014). Informal water markets and willingness to pay for water: a case study of the urban poor in Chennai City, India. International Journal of Water Resources Development, v. 31, n. 1, p. 134-145. Disponível em: https://doi.org/10.1080/07900627.2014.920680.

VIJ, S.; JOHN, A.; BARUA, A. (2019). Whose water? Whose profits? The role of informal water markets in groundwater depletion in peri-urban Hyderabad. Water Policy, v. 21, n. 5, p. 1081-1095. Disponível em: https://doi.org/10.2166/wp.2019.129

Downloads

Publicado

2026-04-16

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

COLAPSO DO SISTEMA DE PÚBLICO DE ABASTECIMENTO E A FORMAÇÃO DE MERCADOS DE ÁGUA. GEOgraphia, Niterói, v. 28, n. 60, 2026. DOI: 10.22409/GEOgraphia2026.v28i60.a62462. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geographia/article/view/62462. Acesso em: 23 abr. 2026.