Shun de Andrômeda e as correntes das masculinidades: gênero, jornalismo de cultura pop e construção de sentidos em redes digitais

Autores

  • Felipe Viero Kolinski Machado UFOP
  • Christian Gonzatti UNISINOS

DOI:

https://doi.org/10.22409/rmc.v14i2.38071

Palavras-chave:

Cultura pop. Jornalismo. Gênero. Masculinidades. Redes Digitais.

Resumo

Em dezembro de 2018 a Netflix divulgou um trailer antecipando aspectos do que seria seu remake da série Cavaleiros do Zodíaco. Ao explicitar a conversão de Shun (cavaleiro cuja performance de gênero distancia-se de uma masculinidade hegemônica) em Shaun, uma amazona, desenvolveu-se uma intensa disputa de sentidos, envolvendo desde fãs até portais noticiosos. Considera-se, aqui, que esse acontecimento revela diversos campos problemáticos, colocando em disputa noções de gênero e possibilidades (e impossibilidades) da existência de diversidade no cenário da cultura pop. Nesse artigo, a partir de texto crítico publicado no Omelete (principal portal jornalístico brasileiro voltado à cultura pop), busca-se perceber quais sentidos são mobilizados/constituídos por usuários de redes sociais (em especial Facebook) acerca de tais questões. Tendo em vista a análise de construção de sentidos em redes digitais, desenharam-se cinco constelações de sentido, as quais, a partir de distintos lugares, contribuíram para o estabelecimento de lugares permitidos/interditados sobre questões de gênero e de sexualidade no universo pop.

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Biografia do Autor

Felipe Viero Kolinski Machado, UFOP

É Professor Adjunto A (nível 1) do Departamento de Jornalismo (DEJOR) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto (PPGCOM UFOP). É Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), com bolsa CAPES. Realizou estágio doutoral no exterior, com bolsa CAPES/PDSE, junto ao Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA/ISCTE-IUL), em Lisboa/Portugal É Mestre em Ciências da Comunicação também pela UNISINOS, com bolsa CNPq. Realizou estágio junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (3 meses). É jornalista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com bolsa FNDE. Entre os anos de 2017 e 2019 realizou estágio de pós-doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (Bolsa de Pós-Doutorado Júnior - PDJ/CNPq). Integra os grupos de Pesquisa Núcleo de Estudos Tramas Comunicacionais: Narrativa e Experiência (UFMG), Convergência e Jornalismo (ConJor) (UFOP) e o Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento (LIC - UNISINOS). Possui experiência profissional/estágio em rádio e em televisão e, como docente, ministra disciplinas teóricas, metodológicas e laboratoriais na área da comunicação e do jornalismo. Em suas pesquisas, interessa-se pelas seguintes áreas/temáticas: Produção de sentidos nas Mídias e no Jornalismo; Análise do Discurso Midiático e Estudo de rotinas produtivas; Geração, Gêneros e Sexualidades; Teoria Queer e Estudos Comunicacionais; Cultura Pop

Christian Gonzatti, UNISINOS

Doutorando e Mestre em Ciências da Comunicação, com ênfase em Processos Midiáticos, na linha de pesquisa de Linguagens e Práticas Jornalísticas pela Unisinos, com bolsa da CAPES. Graduado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, também pela Unisinos, com bolsa integral. Membro do LIC, Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, desde 2012, atuando em pesquisas que articulam temas do jornalismo, como as teorias do acontecimento, dos processos em redes e mídias digitais e dos estudos de semiótica. Trabalha com marketing digital e gerenciamento de sites de redes sociais, tendo experiências na área com empresas de diferentes segmentos. Ministra cursos sobre metodologias para análises de redes digitais. Tem interesse, atualmente, nos estudos de cultura pop, redes e mídias digitais, semiótica e pedagogias das diferenças.

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Publicado

2020-05-28