Colonialidades brasileiras em revista: esquecimentos de gênero e raça nas páginas de Trip
DOI:
https://doi.org/10.22409/7h6rqj22Palavras-chave:
Corpo, Gênero, Raça, Colonialidade, Revista TripResumo
Este artigo tem o objetivo de analisar edições impressas da revista brasileira Trip, voltada para o público masculino, com o intuito de observar como a publicação se apropria de determinadas perspectivas históricas sobre uma imagem de Brasil em suas páginas, de 1986 a 2020. A partir da análise, é percebido como a revista aciona corpos imaginários do colonialismo, intrinsecamente ligados a projetos nacionais acerca de raça e gênero, reforçando esquecimentos e hierarquias sociais. Conclui-se que, mesmo de forma não deliberada, e por vezes contraditória, Trip reproduz estruturas sociais brasileiras, dando a ver como uma revista de nicho, jornalística e mercadológica, se comporta editorialmente e constitui representações da memória ao longo do tempo.
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