Ruínas de cinemas suburbanos: aspectos hauntológicos entre destituições, tecnostalgias e limiares cinematográficos
DOI:
https://doi.org/10.22409/181ysc90Palavras-chave:
Ruínas, Hauntologia, Tecnostalgia, Cinemas de rua, Subúrbio cariocaResumo
O artigo aborda o caso das ruínas de três cinemas do subúrbio carioca – Cinema Rosário/Ramos, Cinema Santa Helena/Olaria e Cine Rio Palace – e como o abandono desses espaços reflete projetos de sociedade que fomentam a exclusão socioespacial, econômica e cultural, alienando o "direito à cidade" e apagando a memória suburbana. Exploramos os conceitos de "limiares cinematográficos" e "tecnostalgia" para analisar as transformações das salas de cinema desde finais do século XX. Além disso, pensamos a noção de "ruína" como um conceito prismático e recorremos à ideia de "hauntologia” para refletir sobre a presença espectral de tais ruínas, conectando seu declínio a questões mais amplas de memória urbana e cinematográfica.
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