Sedução domesticada: um estudo sobre consumos, afetos e representações da mulher na publicidade da Avon nos anos 1960
DOI:
https://doi.org/10.22409/5yw1vy02Palavras-chave:
Publicidade e consumo , Afetos, Representações da mulher, Anos 1960, AvonResumo
Este artigo analisa a construção da figura da Lady Avon na publicidade veiculada no Brasil entre 1960 e 1967, investigando a mobilização de afetos na produção de modelos de feminilidade e de subjetividades voltadas ao consumo. A partir da análise de anúncios da campanha “Avon Chama!”, publicados nas revistas O Cruzeiro, Manchete e Cláudia, examina-se a articulação entre domesticidades, trabalho feminino e sedução. Argumenta-se que a Lady Avon opera como um agenciamento comunicacional que ativa afetos como cuidado, pertencimento e desejo, conciliando circulação e respeitabilidade. Ao propor uma sedução domesticada, a publicidade da marca contribui para a estabilização de modos de vida nos quais o consumo se apresenta como via de reconhecimento social.
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