O uso de valor justo na financeirização dos balanços

A mudança de acumulação de investimentos em empresas não financeiras

Autores

  • Ednei Morais Pereira Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Universidade Federal de Goiás
  • Fernanda Filgueiras Sauerbronn Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Odilanei Morais dos Santos Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Monize Ramos do Nascimento Universidade Federal de Goiás

DOI:

https://doi.org/10.12712/rpca.v.201.70126

Resumo

O objetivo do nosso estudo foi avaliar o impacto do uso do valor justo no processo de financeirização dos balanços de empresas não financeiras brasileiras listadas na B3, no período de 2010 a 2023. Sob a ótica da economia política e dos estudos críticos em contabilidade, investigamos se a mensuração a valor justo (especialmente a IFRS 13) como um marcador de tecnologia de financeirização indicou mudança no regime de acumulação, deslocando o foco do investimento produtivo para o financeiro. Metodologicamente, utilizamos uma abordagem quantitativa por meio de regressão com dados em painel, analisando uma amostra de 330 empresas. Os resultados evidenciaram uma relação negativa e significativa entre as aplicações financeiras avaliadas a valor justo e o ativo imobilizado, confirmando a existência de um trade-off estratégico onde a liquidez financeira compete com a expansão produtiva. Contudo, diferentemente da literatura internacional focada em economias centrais, observou-se uma correlação positiva entre o pagamento de dividendos/resultado financeiro e o investimento produtivo. Concluímos que, no Brasil, a financeirização opera de forma híbrida, onde a lógica especulativa avança nos balanços, mas ainda coexiste com a dependência da rentabilidade operacional e do financiamento bancário/estatal.

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Publicado

2026-07-09

Edição

Secção

Artigos/Papers