TENSÕES CURRICULARES NO BRASIL CONTEMPORÂNEO: ENTRE OMERCADO DE TRABALHO E A FORMAÇÃO INTEGRAL DO SER HUMANO

Autores

  • Érica Fernanda de Oliveira
  • Marcel Ercolin Carvalho

DOI:

https://doi.org/10.22409/7562v174

Palavras-chave:

Educação, Humanização, Currículo, Emancipação

Resumo

A educação no Brasil tem sido marcada por conflitos entre forças conservadoras e
movimentos que buscam uma abordagem mais crítica e humanizadora. Nas últimas
décadas, essa tensão se intensificou, especialmente com a adoção de currículos que
priorizam a adequação ao mercado e a mensuração de resultados, em detrimento da
formação crítica dos estudantes. A década de 1990 trouxe uma forte influência neoliberal,
com políticas que enfatizavam eficiência e produtividade, alinhando o Brasil ao Consenso
de Washington e impactando diretamente o sistema educacional. Os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs), implementados durante o governo de Fernando Henrique
Cardoso, refletiram essa lógica, priorizando uma pedagogia baseada em habilidades e
competências. Esse modelo se consolidou com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDBEN) e o primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), transformando a
escola em um espaço animado para atender às demandas do mercado, muitas vezes em
detrimento da diversidade cultural e das especificidades regionais. A educação passou a
ser vista como um meio de preparação para o mercado de trabalho, cumprindo a formação
integral e a promoção de uma cidadania crítica. Entretanto, os movimentos sociais e
educacionais resistiram a essa lógica, buscando uma educação emancipatória e inclusiva.
A chegada de governos progressistas trouxe avanços nas diretrizes para grupos
marginalizados, mas a estrutura avaliativa neoliberal continuou a prevalecer. Com o golpe
de 2016 e a ascensão de um governo conservador, houve um retrocesso significativo nas
conquistas educacionais, com a promulgação da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) em 2017, que reforçou a padronização do ensino. A polarização entre visões
educacionais reprodutivistas e emancipadoras se acentuou, refletindo a luta entre a
educação voltada para o mercado e a formação crítica. A educação deve ser entendida
como um processo coletivo de humanização, promovendo direitos humanos e inclusão,
desafiando narrativas e buscando uma sociedade mais justa e igualitária. A reflexão
curricular deve priorizar a formação de cidadãos críticos e engajados na transformação
social, valorizando a dignidade de todos.

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Publicado

2026-08-11

Como Citar

TENSÕES CURRICULARES NO BRASIL CONTEMPORÂNEO: ENTRE OMERCADO DE TRABALHO E A FORMAÇÃO INTEGRAL DO SER HUMANO. Revista Pedagogia Social UFF, [S. l.], v. 21, n. 1, 2026. DOI: 10.22409/7562v174. Disponível em: https://periodicos.uff.br/pedagogiasocial/article/view/72751. Acesso em: 24 ago. 2026.