“PRIVILÉGIOS” NA ENCRUZILHADA DE GÊNERO, RAÇA E CLASSE: A REVISTA GÊNERO E A QUALIFICAÇÃO DO DEBATE SOBRE DESIGUALDADES NO TRABALHO REMUNERADO E NÃO REMUNERADO
DOI:
https://doi.org/10.22409/5ya85p32Palabras clave:
Gênero; Raça; Classe Social; Interseccionalidade; Trabalho Reprodutivo; Trabalho ProdutivoResumen
Este artigo investiga os determinantes da participação no trabalho produtivo e reprodutivo a partir das perspectivas de gênero e da interseccionalidade entre gênero, raça/cor e classe, dialogando com a produção acadêmica da Revista Gênero sobre o tema. Metodologicamente, utiliza modelos de probabilidade aplicados aos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2022, com foco na participação no mercado de trabalho e nos cuidados e afazeres domésticos. Os resultados indicam que fatores produtivos, como escolaridade e experiência, influenciam de forma semelhante homens e mulheres, enquanto a presença de crianças, idosos e a realização de afazeres domésticos reforçam assimetrias associadas às normas sociais de gênero. Entre os achados, destaca-se o efeito positivo do cuidado de crianças e idosos sobre a participação laboral, em sentido distinto ao esperado pela literatura. No trabalho reprodutivo, observam-se padrões semelhantes entre homens e mulheres, embora os impactos da presença de crianças e idosos sejam mais intensos para elas. Sob a ótica interseccional, os achados evidenciam que as normas de gênero afetam todas as mulheres, mas seus efeitos variam conforme os marcadores de raça/cor e classe social, ainda que alguns determinantes não tenham apresentado maior peso para mulheres negras e pobres.
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