História psicossocial das emergências humanitárias: sistematização da resposta brasileira ao impacto da COVID-19 no limite da incivilidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15175/9qga5f09

Palavras-chave:

emergências sanitárias, quadro de ruptura, civilidade, sofrimento, psicanálise

Resumo

O artigo apresenta um estudo aprofundado da relação entre as ações desempenhadas, principalmente pelo Governo Federal do Brasil, durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, levantados e sistematizados através da metodologia da História Psicossocial das Emergências Humanitárias. Os eventos e posicionamentos levantados, bem como suas consequências, foram analisados e interpretados a partir da literatura psicanalítica, organizada por meio de uma revisão bibliográfica, principalmente da produção de Sigmund Freud no período da I Guerra Mundial. Destaca-se ainda a contribuição de Theodor Adorno a respeito da possibilidade epistemológica e metodológica da psicanálise de conduzir análises de quadros sociais. A pesquisa demonstrou, a partir da análise dessas ações, e de declarações feitas pelo então presidente da república, a veículos da imprensa, que a atuação do Governo Federal, através do empreendimento de ações completamente contrárias as recomendações das autoridades sanitárias e de instituições científicas, precisamente no empreendimento de teses e metodologias negacionistas como imunidade de rebanho, e KIT COVID, além de um posicionamento de ataque a todas as tentativas de produzir qualquer tipo de estratégia de defesa contra o vírus e defesa da vida, produziram um quadro de ruptura da civilidade que resultou e impactou na emergência de formas específicas de sofrimento.

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Biografia do Autor

  • Cláudia Henschel de Lima, Universidade Federal Fluminense, Volta Redonda, RJ, Brasil / Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

    Professora Adjunta do Departamento de Psicologia da UFF. ECHS-Pólo Univeristário de Volta Redonda. àrea: Psicanálise. mestre em Teoria Psicanalítica - UFRJ. Doutora em Psicologia Social e da Personalidade - UFRJ. Pós-Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da UERJ.

  • Alexandre José da Costa Santos, Universidade Federal Fluminense, Volta Redonda, RJ, Brasil

    Bacharel em psicologia pela Universidade Federal Fluminense, campus Volta Redonda. Pesquisador do Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas (LAPISCON).

  • Cian Spangemberg Barbosa Whately, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil / Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, SP, Brasil

    Sociólogo e mestre em psicologia pela UFF, doutorando em Psicologia Programa de Pós-Graduação em Psicologia – Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGP/UFRJ). Co-fundador, professor e coordenador no Centro de Formação. Colunista na Opera Mundi.

  • Rebecca Scardelato Dallamarta, Universidade Federal Fluminense, Volta Redonda, RJ, Brasil

    Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (Campus de Volta Redonda). Pesquisadora do Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas (LAPISCON).

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Publicado

2025-10-12

Como Citar

História psicossocial das emergências humanitárias: sistematização da resposta brasileira ao impacto da COVID-19 no limite da incivilidade. (2025). Passagens: Revista Internacional De História Política E Cultura Jurídica, 17(3), 414-437. https://doi.org/10.15175/9qga5f09

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