Ê, coreira: vida e trabalho de Regina Arcanjo
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i1.a64785Palabras clave:
Coreira, Cultura, Mulheres, Raça.Resumen
Neste texto, a participação feminina na cultura popular é debatida por meio da trajetória de vida e trabalho de Ana Regina Braga Arcanjo, uma coreira do tambor de crioula em São Luís, no estado do Maranhão. A análise detalha a constituição de sua carreira, considerando aspectos individuais e estruturais, com o objetivo de destacar as estratégias utilizadas para construir e consolidar sua identidade profissional em um contexto cultural desigual e adverso. Realizou-se uma entrevista aprofundada, além de convivência intensa em eventos culturais e educacionais no Maranhão e em São Luís, entre setembro de 2023 e maio de 2024. Durante os encontros, Regina compartilhou aspectos de sua trajetória pessoal, da prática do tambor de crioula e das políticas culturais desenvolvidas na cidade. Os dados foram analisados com base na interseccionalidade, considerando fatores como raça, classe e gênero e seus impactos na cultura popular. Essa abordagem permitiu compreender os desafios enfrentados por Regina na manutenção e difusão dessa forma de expressão, considerada patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ao final, evidencia-se como ela combina saberes tradicionais e economia criativa na produção de bens e serviços culturais. Tal prática ocorre em um cenário marcado por políticas culturais ainda frágeis, destacando sua contribuição para o fortalecimento da cultura popular e para a valorização das mulheres no tambor de crioula.
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