Maternidades politizadas: gramáticas emocionais e corpos coletivos no ativismo da maconha medicinal
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i3.a68268Palavras-chave:
Ativismo, Gênero., Maconha Medicinal, Maternidades politizadasResumo
Neste artigo, discuto os imbricamentos entre dor e política a fim de oferecer um enquadramento etnográfico para as gramáticas emocionais e para a conformação de corpos coletivos no ativismo da maconha medicinal no Rio de Janeiro. Concentro a análise em uma cena de campo (re)construída a partir das ruas, em um dia do ato político anual conhecido por marcha da maconha, e estabeleço estreita conversa com algumas teorizações antropológicas das emoções, coletividades e processos de vitimização. Ofereço uma gramática político-moral-emocional para analisar o ativismo estudado, sugerindo haver uma materialidade de símbolos e performances que fabricam um “povo”, um senso de coletividade interdependente e politicamente organizada, que se move por meio de uma linguagem de maternidade politizada – levando bastante em conta os múltiplos marcadores observados: gênero, raça, classe social, deficiência e idade. Para tanto, parto de um estudo etnográfico sobre o associativismo de mães de filhos com deficiências na cidade do Rio de Janeiro, demonstrando como reprodução política e cuidado andam lado a lado, produzindo tanto imaginários de família e direitos quanto práticas cotidianas das ações de cuidado. O artigo demonstra que a politização das emoções é crucial para a política contemporânea, sendo, assim, de suma importância para a compreensão sociológica do ativismo da maconha medicinal.
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