Pescadores, pescarias e o timoneiro: o que Pescadores de Itaipu têm a dizer sobre Roberto Kant de Lima
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v1.i1.a72631Palavras-chave:
Pescadores de Itaipu, Roberto Kant de Lima, Trajetória profissional, Etnografia, Meio ambiente.Resumo
Este texto compõe parte das homenagens dirigidas ao emérito professor e antropólogo da Universidade Federal Fluminense, Roberto Kant de Lima, falecido em maio de 2025. Originalmente este texto foi uma comunicação proferida no âmbito do XII Seminário Internacional do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos, De caos e Estrelas, na ocasião da mesa redonda que celebrou, ao mesmo tempo, a memória de Kant de Lima e sua obra Pescadores de Itaipu: Meio ambiente, conflito e ritual no litoral do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo deste singelo texto/homenagem é pensar como na etnografia realizada para a produção de sua dissertação de mestrado, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, defendida no ano de 1978, é possível identificar dois grandes interesses temáticos que seriam marcantes na trajetória profissional do antropólogo, podendo ser observados em sua agenda de pesquisa consolidada nas décadas seguintes, bem como em seus trabalhos acadêmicos e realizações institucionais, a saber: 1) a aproximação entre a Antropologia e o Direito, evidenciada pelo interesse em observar as normas e regras sociais entre pescadores artesanais de “beira de praia”, inspirado em uma literatura antropológica clássica, mas que pouco fazia sentido no cenário acadêmico brasileiro daquela época; e 2) a análise processual e ritual da sociedade, a partir de observações empíricas sobre as estruturas e as dinâmicas de suas instituições, bem como de seus agentes “de carne e osso”, suas representações e suas práticas. Estruturas estas que nunca foram entendidas por Roberto Kant de Lima como estanques ou fixas, independentemente dos fenômenos sociais os quais se dedicou a observar ao longo de sua trajetória profissional.
Downloads
Referências
BRITTO, Rosyan Campos de Caldas. Modernidade e tradição: construção da identidade social dos pescadores de Arraial do Cabo – RJ. Niterói: EdUFF, 1999.
CASTRO FARIA, Luiz de. Pescarias e pescadores. In: CASTRO FARIA, Luiz de. Escritos exumados: dimensões do conhecimento antropológico. v. 2. Niterói: EdUFF, 2000. p. 431-438.
GUIDI, Maria Laís Mousinho. Elementos de Análise dos “Estudos de Comunidades” Realizados no Brasil e Publicados de 1948 a 1960.Educação e Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 10, n. 19, 1961.
DUARTE, Luiz Fernando Dias. As redes do suor: a reprodução social dos trabalhadores da produção da pesca em Jurujuba. Niterói: EdUFF, 1999.
KANT DE LIMA, Roberto. A antropologia da academia: quando os índios somos nós. Niterói: EdUFF, 1985.
KANT DE LIMA, Roberto. A polícia da cidade do Rio de Janeiro: seus dilemas e paradoxos. Rio de Janeiro: PMERJ, 1994.
KANT DE LIMA, Roberto; PEREIRA, Luciana. Os Pescadores de Itaipu: meio ambiente, conflito e ritual no litoral do Estado do Rio de Janeiro. Niterói: EdUFF, 1997.
MAUSS, Marcel. Manuel d’ethnographie. Paris: Éditions Payot, 2002.
MELLO, Marco Antônio da Silva; VOGEL, Arno. Gente das areias: Sociedade, história e meio ambiente no estado do Rio de Janeiro. Niterói: EdUFF, 2017.
OLIVEIRA, Lygia Estevão de. Cajuí: Socialização em uma Comunidade Praiana. Recife: Imprensa Universitária, 1966.
PESSANHA, Elina Gonçalves da Fonte. Os companheiros. trabalho e sociabilidade na pesca de Itaipu. Niterói: EdUFF, 2003.
PRADO, Simone Moutinho. Da anchova ao salário mínimo: uma etnografia sobre injunções de mudança social em Arraial do Cabo. Niterói: EdUFF, 2002.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 José Colaço Dias Neto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
O conteúdo da revista Antropolítica, em sua totalidade, está licenciado sob uma Licença Creative Commons de atribuição CC-BY (http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt).
De acordo com a licença os seguintes direitos são concedidos:
- Compartilhar – copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato;
- Adaptar – remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial;
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição – Você deve informar o crédito adequado, fornecer um link para a licença e indicar se alterações foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer maneira razoável, mas de modo algo que sugira que o licenciante o apoia ou aprova seu uso;
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.