Maresia no Cerrado: o Estado como saber local, Roberto Kant de Lima e uma antropologia do direito na Universidade de Brasília
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v1.i1.a73026Palavras-chave:
Roberto Kant de Lima, Antropologia do direito, Estado, Administração de conflitos, Etnografia.Resumo
Este artigo analisa a contribuição de Roberto Kant de Lima para a consolidação de uma agenda de antropologia do direito na Universidade de Brasília, tomando sua obra menos como um conjunto de conceitos a serem aplicados do que como uma maneira de produzir problemas etnográficos. Sua relevância reside na possibilidade de compreender como uma perspectiva originalmente construída na etnografia das instituições policiais e judiciais brasileiras se deslocou para outros contextos empíricos, estimulando novas perguntas sobre Estado, direito e administração de conflitos. O artigo tem por objetivo reconstruir esse percurso intelectual e seus desdobramentos em pesquisas desenvolvidas na Universidade de Brasília. Metodologicamente, combina uma leitura analítica de trabalhos de Kant de Lima com uma reconstrução reflexiva de sua circulação em pesquisas realizadas em Timor-Leste e no Distrito Federal, especialmente sobre polícia, justiça, violência doméstica, mediação e formas institucionais de produção da verdade. A análise mostra que um dos efeitos mais produtivos dessa interlocução foi tratar o Estado como saber local: em lugar de tomar categorias jurídicas e institucionais como universais ou autoevidentes, as pesquisas examinadas investigam etnograficamente os saberes práticos, sensibilidades jurídicas e formas de classificação por meio dos quais agentes e instituições administram conflitos. Conclui-se que a influência de Kant de Lima na Universidade de Brasília se expressa sobretudo na constituição de uma agenda de pesquisa que combina comparação, descrição etnográfica e crítica das formas naturalizadas de imaginar o Estado e o direito.
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