O corpo não sai da cidade: transferência, arte pública e experiência urbana

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DOI:

https://doi.org/10.22409/arte.lugar.cidade.v3i1.70367

Palavras-chave:

transferência, corpo, cidade, arte pública, corpografia urbana

Resumo

Transferência, noção cara ao campo da psicanálise, é aqui deslocada para pensar a experiência urbana como campo sensível atravessado por corpo, memória e espaço. O ensaio aborda a transferência como dinâmica relacional que se atualiza corporalmente no contato com a cidade, não como mecanismo interpretativo, mas como acontecimento vivido. Em diálogo com estudos do corpo, pensamento urbano, práticas artísticas contemporâneas e abordagens fenomenológicas da experiência, o texto afirma o corpo como arquivo e método, lugar onde a cidade se deposita, insiste e se reinscreve. A cidade é compreendida como campo ativo de forças, no qual sobrevivências históricas e normativas emergem como atmosferas, fricções e deslocamentos perceptivos. A arte pública e a performance urbana aparecem como operadores que sustentam esse campo, reorganizando regimes de visibilidade e presença. A análise de ações do Desvio Coletivo evidencia como o corpo coletivo produz uma escrita urbana situada, articulando a transferência urbana à noção de corpografia urbana como grafia viva da experiência na cidade.

Biografia do Autor

  • Rodrigo Gonçalves dos Santos, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil

    Rodrigo Gonçalves é Professor Associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão articulando arquitetura, corpo, arte e cidade. É professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PósARQ/UFSC), na linha Urbanismo, Cultura e História da Cidade, e coordena o Grupo Quiasma: Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Arquitetura, Corpo e Cidade. Também integra o Grupo de Estudos sobre Arte Pública no Brasil (GEAP-BR). Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC (1999), é mestre em Engenharia de Produção - Gestão Integrada do Design (UFSC, 2003) e doutor em Educação (UFSC, 2011), com investigações que atravessam fenomenologia, percepção e a experiência estética do espaço habitado. Cursou ainda Artes Cênicas na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), ampliando seu campo de pesquisa para práticas corporais e performativas. Sua atuação transita por um campo expandido entre arquitetura, urbanismo, arte contemporânea e subjetividades, pesquisando processos artísticos, experiências sensíveis e modos de apreensão da cidade. Seus interesses concentram-se nas interfaces entre corpo e espaço, nas potências poéticas do cotidiano urbano e na construção de imaginários visuais que emergem da vida nas cidades. Entre suas linguagens de criação estão o desenho, a fotografia, a escrita, a instalação e as intervenções urbanas. De 2018 a 2023 foi membro titular da Comissão Municipal de Arte Pública (COMAP) de Florianópolis e, desde 2023, é artista associado à Associação Catarinense dos Artistas Plásticos (ACAP). Sua produção investiga a experiência urbana como campo de memória, presença e transformação, articulando pesquisa acadêmica, prática artística e reflexão crítica sobre o espaço contemporâneo. 

Referências

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Publicado

2026-04-29

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Artigos

Como Citar

O corpo não sai da cidade: transferência, arte pública e experiência urbana. arte :lugar :cidade, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 114–137, 2026. DOI: 10.22409/arte.lugar.cidade.v3i1.70367. Disponível em: https://periodicos.uff.br/arte-lugar-cidade/article/view/70367. Acesso em: 1 maio. 2026.

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