A tessitura do espectro

catástrofe e fragmentação em Assentamento, de Rosana Paulino

Autores

Resumo

Nesse ensaio, analiso como a obra Assentamento, de Rosana Paulino, trabalha com imagens de arquivo diretamente ligadas à escravidão de maneira a questionar uma lógica visual calcada em processos de racialização. Ao intervir nesse arquivo através de seu uso magistral de técnicas de colagem e costura, Paulino ressalta a continuidade desse passado através da ligação das teses eugênicas das fotografias originais com o nosso presente necropolítico. Também investigo a história das fotografias eugênicas e a representação imagética de corpos pretos na história brasileira para então discutir como a obra de Paulino almeja dobrar o olhar colonial sobre si. Argumento, enfim, que Assentamentonão nega a precariedade do corpo retratado na fotografia de arquivo usada pela obra, mas que, a partir de suas colagens e costuras, ilustra a possibilidade de evasão de códigos visuais racializantes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ricardo Duarte Filho, New York University; Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando em Spanish and Portuguese Languages and Literatures pela New York University e em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua pesquisa atual examina como o extrativismo no Brasil está historicamente atrelado a processos de racialização e discute também a contínua violência perpetrada contra comunidades racializadas diante da aceleração de práticas extrativistas. Seus textos já foram publicados por revistas como o Journal of Latin American Cultural Studies, Significação: Revista de Cultura Audiovisual e Imagofagia - Revista de la Asociación Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual. E-mail: ricardo.duarte@nyu.edu

Referências

BARTHES, Roland. La chambre claire: note sur la photographie. Paris: Gallimard, 1980.

CAMPT, Tina. Listening to Images. Durham: Duke University Press, 2017.

CUSICANQUI, Silvia Rivera. Sociologia de la imagen: miradas ch’ixi desde la historia andina. Buenos Aires: Tinta Limón, 2015.

DANTAS, Vinicius. Entre “A negra” e a mata virgem. Novos Estudos, v.45, n.1, 1996.

FANON, Frantz. Peau noire, masques blancs. Paris: Éditions du Seuil, 1971.

HARTMAN, Saidiya. Lose Your Mother: A Journey along the Atlantic Slave Route. New York: Farrar, Straus, and Giroux, 2007.

HARTMAN, Saidiya. Scenes of Subjection: Terror, Slavery, and Self-Making in Nineteenth- Century America. New York: Oxford University Press, 1997.

IMAN JACKSON, Zakiyyah. Becoming Human: Matter and Meaning in an Antiblack World. New York: New York University Press, 2020.

LISSOVSKY, Maurício. "O sumiço da senzala: tropos na raça na fotografia brasileira". Devires, v. 13, n. 1, jul.-dez. 2016.

MICHELLE SMITH, Shawn. Photographic Returns: Racial Justice and the Time of Photography. Durham: Duke University Press, 2020.

MIRZOEFF, Nicholas. The Right to Look: A Counterhistory of Modernity. Durham: Duke University Press, 2011.

MOTEN, Fred. The Universal Machine. Durham: Duke University Press, 2018.

NASCIMENTO, Elisa Larkin. The Sorcery of Color: Identity, Race, and Gender in Brazil. Philadelphia: Temple University Press, 2003.

OCHOA, ANA MARIA. Aurality: Listening and Knowledge in Nineteenth-Century Colombia. Durham: Duke University Press, 2014.

PRATT, Mary Louise. Imperial Eyes. Londres: Routledge, 1992.

SANTOS DE ARAÚJO, Flavia. Rosana Paulino and the Art of Refazimento: Reconfigurations of the Black Female Body in the Land of Racial Democracy. BRASILIANA: Journal for Brazilian Studies, v. 8, n. 1-2, p. 63-90, 2019.

SHARPE, Christina. In the Wake: On Blackness and Being. Durham: Duke University Press, 2016.

WEHELIYE, Alexander G. Diagrammatics as Physiognomy: W. E. B. Du Bois’s Graphic Modernities. CR: The New Centennial Review, v.15,n.2, p.23-58, 2015.

Downloads

Publicado

2022-07-25

Edição

Seção

Dossiê