Por uma estética tátil: sobre a adaptação de obras de artes plásticas para deficientes visuais

Maria Clara de Almeida, Filipe Herkenhoff Carijó, Virgínia Kastrup

Resumo


Neste artigo, propomos uma análise crítica de três das estratégias mais comuns de se fornecer acesso às artes plásticas para deficientes visuais: adaptação das obras pela via do alto-relevo, uso representacional de texturas e disponibilização de esculturas para o toque. A discussão é feita em torno de dois eixos: questionamos a adequação destas peças oferecidas à modalidade tátil, de um lado, e sua capacidade de evocar experiências estéticas, de outro. Para tanto, lançamos mão de estudos de psicologia cognitiva sobre percepção tátil. Nossa análise revela que as “versões táteis” geralmente oferecidas aos deficientes visuais nada possuem de tátil. Na esfera estética como na recognitiva, tais adaptações, desconhecendo as propriedades cognitivas e a dimensão expressiva do tato, acabam por reproduzir padrões visuais. Propomos, ao final, que o problema de se fornecer acesso às artes plásticas visuais deve ser recolocado em termos da invenção de uma estética verdadeiramente tátil.


Palavras-chave


Deficiência Visual; Percepção Tátil; Experiência Estética; Artes Plásticas

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