Crítica ao postulado positivista da psicologia: de Heidegger a Foucault.

Rômulo Marques dos Santos Ballestê, Ricardo de Barros Cabral

Resumo


A objetivação do ser humano que segue os ideais de precisão das ciências físico-matemáticas, bem como a sua identificação com o fato biológico, se coloca como a palavra de ordem no projeto atual do que se pode chamar a psicologia como ciência positiva. No entanto, tal postura na psicologia abriga uma contradição: naturalizar o Homem como algo passível de ser apreendido pelo aparato tecno-científico quando essa atitude vai de encontro à não-inscrição da humanidade numa ordem natural, dada a sua história e sua cultura, heterogêneas em seu desenrolar, como apontado por Michel Foucault. Também, a redução do ser humano a objeto de estudo dado se mostra contrária às considerações de Martin Heidegger acerca do problema do Ser em sua relação com o mundo, contrária à toda a reificação. Partindo, portanto, das observações desses dois autores, será realizada uma crítica ao modelo positivista de cientificidade adotado no desenvolvimento da ciência psicológica moderna e busca problematizar a ética que se supõe necessária nesta questão.


Palavras-chave


Psicologia; Naturalização; Reificação; Positivismo; Ética

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