A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e suas engrenagens biopolíticas: o uso do conceito de gênero como regime de luzes

Maria Juracy Toneli, Rita Flores Müller

Resumo


O artigo analisa a produção de homens e mulheres na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do governo brasileiro Foram analisados os documentos “Princípios e diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem”, “Princípios e diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher”; e entrevistas realizadas com gestores federais da Área Técnica de Saúde do Homem em sua primeira composição e da Área Técnica de Saúde da Mulher. A análise do discurso a partir de Michel Foucault permitiu lidar com o corpus em suas condições de produção mediante um gesto analítico-descritivo de manejo dos enunciados dispersos. O argumento central é o de que a Política de saúde analisada tem um “gênero” como uma rede discursiva que produz os sujeitos referências de sua inteligibilidade. Destacam-se na análise a emergência do sujeito feminino do cuidado, representada pela mulher-mãe higiênica e mulher-sujeito; e do homem como sujeito de direitos à saúde sob o signo da novidade de seu nascimento. O diálogo com Judith Butler e Jacques Derrida é um dos eixos teóricos propiciadores da análise das questões que edificam o artigo, além do que o próprio título procura igualmente evidenciar, a saber, as engrenagens biopolíticas que movimentam a Política em questão.


Palavras-chave


política nacional de atenção integral à saúde do homem; gênero; biopolítica.

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