Práticas de esporte, lazer e cultura do UNICEF

Flávia Cristina Silveira Lemos, Dolores Cristina Gomes Galindo, José Araújo de Brito Neto, Leandro Passarinho Reis Jùnior, Thais Nogueira, André Benassuly Arruda

Resumo


O artigo presente visa problematizar as práticas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em especial, as dirigidas às crianças e adolescentes pobres por meio de atividades de esportes, lazer e cultura como maneira de forjar segurança, saúde e prevenir situações de violência Esta agência atribui a este grupo social supostas situações de riscos, vulnerabilidades, carências e privações derivadas do pertencimento desta infância e adolescência às famílias pobres, não escolarizadas e pela moradia em comunidades na periferia das cidades. Os modos de vida deste segmento da população são desqualificados e o UNICEF se apresenta como uma agência transformadora destas condições. Os projetos deste organismo multilateral oscilam entre o adestramento disciplinar produtor de docilidade e utilidade ao governo da vida para criar liberdade com segurança por meio de políticas compensatórias, recomendadas como receitas e oferecidas como favores, deixando de lado o campo dos direitos em detrimento da economia política neoliberal.

 


Palavras-chave


projetos de esporte; cultura e lazer; UNICEF; crianças e adolescentes; disciplina; biopolítica

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v29i1/1009

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