O humano, o pastorado e a psicologia

Sandra Raquel Santos de Oliveira

Resumo


Este trabalho parte de uma dúvida lançada por Foucault acerca do fim da era pastoral, tentando destacar os possíveis pontos de convergência entre algumas práticas da Psicologia em diferentes contextos institucionais e o pastorado, enquanto dispositivo de poder. Nesse percurso, tentamos dar ênfase ao que consideramos os efeitos desses pontos de convergência: a produção de uma humanidade associada ao caráter dócil. Essa análise direciona-se, principalmente, para os processos de subjetivação essencializados, unificados, interiorizados e bem delimitados como efeitos de exercícios de poder-saber no campo do que se convencionou chamar de ciência psicológica e seus atravessamentos com as perspectivas de garantias de direitos universais. Em linhas gerais, a questão que se coloca para as práticas psi é em que medida elas colaboram na naturalização da servidão e de condutas pacificadas como eminentemente humanas, configurando-se como uma nova modalidade de poder pastoral, ou nos dizeres de Foucault, como uma modalidade de pastorado laico.


Palavras-chave


psicologia; pastorado; governo

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i1/1490

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