O desafio conceitual do trabalho doméstico à psicologia do trabalho

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5874

Palavras-chave:

psicologia do trabalho, trabalho doméstico, trabalho reprodutivo, empregadas domésticas

Resumo

Discute-se, neste artigo, o patrimônio conceitual da Psicologia do Trabalho à análise do trabalho reprodutivo (doméstico). Através dos conceitos da Psicodinâmica do Trabalho, da Ergonomia e da Teoria da Divisão Sexual do Trabalho, evidencia-se a realização de um trabalho com prescrições informais, imprecisas, subentendidas e com enorme variabilidade. O trabalho é mobilizado por uma inteligência da prática, pelo uso dos saberes e sagacidades do corpo no cumprimento das tarefas designadas diariamente às empregadas domésticas. Ressalta-se, aqui, a premência da sistematização e da normatização das condições de trabalho, especialmente sobre os níveis de riscos e instrumental de trabalho e de proteção.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Euda Kaliani Gomes Teixeira Rocha, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE

Professora Adjunta do Departamento de Psicologia da UFPE. Doutora em Sociologia (2010), mestra em Serviço Social (2005), graduada em Psicologia (2002) e bacharela em Psicologia do Trabalho pela Universidade Federal de Pernambuco (2002). Coordenadora do NUT (Núcleo de Estudos do Trabalho - Departamento de Psicologia/UFPE); colaboradora do FAGES (Núcleo Família, Gênero e Sexualidade - PPGA/UFPE). Membro do GT interdisciplinar ?Trabalho Doméstico Decente? em Pernambuco (Ministério do Trabalho e outras instituições) e do Grupo "Modos de Vida e Trabalho" na Associação Nacional de Pesquisa em Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Suas pesquisas se concentram na relação trabalho-saúde-gênero, com foco no adoecimento no e pelo trabalho na atual conjuntura socioeconômica do país e do mundo.

Francinaldo do Monte Pinto, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, PB

Pós-doutorado no Conservatoire National des Arts et Métiers (CNAM - Paris) sob a supervisão da professora Dominique Lhuilier. Doutorado em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2009), com Estágio de Doutorado no Département d'Ergologie (Université de Provence-França), mestrado em Serviço Social - Política Social (2001) e graduação em Psicologia (1995) na Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é docente do curso de Graduação em Psicologia e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Estadual da Paraíba, na área de Psicologia do Trabalho e Organizacional. Atua principalmente nos seguintes temas: gestão do trabalho, saúde e subjetividade; trabalho policial; serviços de urgência e emergência móvel.

Referências

ARAÚJO, C.; SCALON, C. Gênero e a distância entre a intenção e o gesto. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 21, n. 62, p. 46-163, 2006.

ATHAYDE, M. R. C. Gestão de coletivos de trabalho e modernidade: questões para a engenharia de produção. 1996. Tese (Doutorado)–Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1996.

ÁVILA, M. B de M. O tempo do trabalho das empregadas domésticas: tensões entre dominação/exploração e resistência. Recife: UFPE, 2009.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei 8.213 de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. 1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm. Acesso em: 26 maio 2017.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Emenda Constitucional nº 72, de 2 de abril de 2013. Altera a redação do parágrafo único do art. 7º da Constituição Federal para estabelecer a igualdade de direitos trabalhistas entre os trabalhadores domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais. 2013. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc72.htm. Acesso em: 26 maio 2017.

BRITO, J. Trabalho prescrito e trabalho real (verbetes). In: GLINA, D. M. R.; ROCHA, L. E. (Org.). Dicionário da educação profissional em saúde. Rio de Janeiro: EPSJV, 2006. p. 282-294.

CANGUILHEM, G. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense, 1995.

DARSES, F.; MONTMOLLIN, M. L’ergonomie. Paris: La Découverte, 2006.

DEJOURS, C. A Loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez/Oboré, 1991.

DEJOURS, C. Por um trabalho, fator de equilíbrio. Revista de Administração de Empresas, v. 33, n. 3, p. 98-104, 1993a

DEJOURS, C. Inteligência operária e organização do trabalho: a propósito do modelo japonês. In: HIRATA, H. (Org.). Sobre o modelo Japonês. São Paulo: EDUSP, 1993b. p. 281-309.

DEJOURS, C. A banalização da injustiça social. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

DEJOURS, C. Trabalho vivo: sexualidade e saúde. Brasília: Paralelo 15, 2012a. t. 1.

DEJOURS, C. Trabalho vivo: trabalho e emancipação. Brasília: Paralelo 15, 2012b. t. 2.

DEJOURS, C., ABDOUCHELI, E. Itinerário teórico em psicopatologia do trabalho. In: DEJOURS, C. et al. (Org.). Psicodinâmica do trabalho: contribuições da escola dejouriana à análise relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas, 1994. p. 119-145.

DELGADO, M. G.; DELGADO, G. N. O novo manual do trabalho doméstico. São Paulo: LTr, 2016.

DELPHY, C. Teoria do patriarcado. In: HIRATA, H. et al. (Org.). Dicionário crítico do feminismo. São Paulo: Unesp, 2011. p. 173-178.

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS. O emprego doméstico no Brasil. Estudos e Pesquisas, n. 68, p. 1-27, ago. 2013. Disponível em: https://www.dieese.org.br/estudosetorial/2013/estPesq68empregoDomestico.pdf. Acesso em: 17 maio 2013.

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS. Trabalho Doméstico Remunerado. Síntese de resultados apurados em 2017. abr. 2018. Disponível em: https://www.dieese.org.br/analiseped/2018/2018empreDomSINTMET.html. Acesso em: 24 ago. 2018.

FERREIRA, S. L. N. G. Sobre o afeto e o direito: o impacto da “Lei das Domésticas” nas práticas cotidianas do trabalho doméstico de patroas e empregadas. 2016. Dissertação (Mestrado)–Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2016.

FLEURY, A. Produtividade e organização do trabalho na indústria. RAE, São Paulo, v. 20, n. 3, p. 19-28, jul./set. 1980. doi: 10.1590/S0034-75901980000300002

FUNDAÇÃO PROCON-SP. Orientação de Consumo. Domissanitários. [2016]. Disponível em http://www.procon.sp.gov.br/texto.asp?id=412. Acesso: 21 jun. 2018.

GOLLAC, M.; VOLKOF, S. Les conditions de travail. Paris: la Découverte, 2000.

HIRATA, H. Travail domestique et servitude volontaire. In: DUNEZAT, X. et al. Travail et rapports sociaux de sexe: recontre autour de Danièle Kergoat. Paris: L’Harmattan, 2010. p. 97-102.

HUGHES, E. Le drame social du travail. Actes de la recherche en sciences sociales: les nouvelles formes de domination dans le travail (2), v. 115, p. 94-99, 1996. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/arss_0335-5322_1996_num_115_1_3207. Acesso em: 4 ago. 2016.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: PNAD 2007. 2007. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2007/graficos_pdf.pdf. Acesso em: 4 ago. 2007.

IRIAT, J. et al. Representações do trabalho informal e dos riscos à saúde entre trabalhadoras domésticas e trabalhadores da construção civil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 13, p. 165-174, 2008.

KERGOAT, D. Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo. In: EMÍLIO, M.; TEIXEIRA, M.; NOBRE, M. (Org.). Trabalho e cidadania ativa para as mulheres: desafios para as políticas públicas. São Paulo: Coordenadoria da Mulher, 2003. p. 55-63.

LHUILIER, D. Introdução à psicossociologia do trabalho. Cad. Psicol. Soc. Trab., São Paulo, v. 17, n. 1, p. 5-19, 2014.

PEREIRA, V. A. A nova lei das domésticas e a “saudade” dos velhos tempos: contribuições antropológicas sobre o trabalho doméstico em Recife e em Porto Alegre. 2017. Tese (Doutorado)–Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2017.

SANTANA, V. et al. Emprego em serviços domésticos e acidentes de trabalho não fatais. Revista de Saúde Pública, v. 37, p. 65-74, 2003.

SARAIVA, A. Trabalho doméstico reduz desocupação, mas reforça informalidade. Agência IBGE Notícias, 30 nov. 2017. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/2012-agencia-de-noticias/noticias/18435-trabalho-domestico-reduz-desocupacao-mas-reforca-informalidade.html. Acesso em: 21 jun. 2018.

TEIGER, C. L’approche ergonomique: du travail humain à l’activité des hommes et des femmes au travail. Education Permanente, v. 116, p. 71-96, 1993.

TELLES, A. L.; ALVAREZ, D. Interfaces ergonomia-ergologia: uma discussão sobre trabalho prescrito e normas antecedentes. In: FIGUEIREDO, M. et al. Labirintos do Trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. p. 63-90.

Downloads

Publicado

2018-07-19

Como Citar

Rocha, E. K. G. T., & Pinto, F. do M. (2018). O desafio conceitual do trabalho doméstico à psicologia do trabalho. Fractal: Revista De Psicologia, 30(2), 145-153. https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5874

Edição

Seção

Dossiê Psicologia, modos de vida e trabalho: mobilizando um patrimônio de conceitos e autores