QUANDO O TERRITÓRIO ENTRA NO ORÇAMENTO: A REGIONALIZAÇÃO DO PLANEJAMENTO MUNICIPAL EM SÃO LUÍS (MA)
DOI:
https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2026.v28i61.a73185Palavras-chave:
regionalização orçamentária, planejamento municipal, desigualdades socioespaciais, transparência orçamentária, georreferenciamentoResumo
A regionalização do orçamento público municipal é um desafio analítico e institucional no Brasil, marcado pela invisibilidade territorial das decisões de gasto e pela persistência de um planejamento que obscurece onde os recursos devem ser aplicados. Este artigo investiga as condições que tornaram possível a formulação de um PPA (Plano Plurianual) orientado por critérios territoriais para o ciclo 2026–2029, com base na experiência de São Luís do Maranhão. A análise vai além da descrição dos processos administrativos e do “cumprimento protocolar” para examinar as inovações políticas e as novas rotinas que modificaram o ambiente político-institucional. Os resultados sugerem que a incorporação de indicadores que identificam as áreas mais vulneráveis da cidade e de ferramentas de georreferenciamento pode tornar mais transparente a distribuição dos recursos públicos e fortalecer o controle social. Em conclusão, a experiência de São Luís demonstra que incorporar o território ao planejamento é um caminho viável para construir políticas públicas mais justas e sensíveis às desigualdades que se expressam em escala local.
Downloads
Referências
BRASIL. (1964) Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Brasília, DF. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320compilado.htm. Acessado em: 13 out. 2026.
BRASIL. (1988) Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acessado em: 13 out. 2026.
BRASIL. Ministério do Orçamento e Gestão. (1999) Portaria nº 42, de 14 de abril de 1999. Atualiza a discriminação da despesa por funções e estabelece conceitos de função, subfunção, programa, projeto, atividade e operações especiais. Brasília, DF. Disponível em: https://legislacaofinanceira.fazenda.sp.gov.br/Federal/Portaria%20MOG%2042-99.pdf. Acessado em: 13 out. 2026.
BRASIL. (2001) Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Brasília, DF. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. Acessado em: 13 out. 2026.
FUNDAÇÃO TIDE SETUBAL. (2025) Plano Plurianual 2026-2029: Prefeitura de São Luís e Fundação Tide Setubal firmam parceria para regionalização do orçamento. São Paulo, 27 mar. 2025. Disponível em: <https://fundacaotidesetubal.org.br/prefeitura-de-sao-luis-e-fundacao-tide-setubal-firmam-parceria-para-regionalizacao-do-orcamento-no-plano-plurianual/>. Acessado em: 12 set. 2026.
GOHN, M. G. (2011) Movimentos sociais na contemporaneidade. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 16, n. 47, p. 333-361, maio/ago. 2011. DOI: 10.1590/S1413-24782011000200005. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-24782011000200005>. Acessado em: 12 set. 2026.
GOMES, P. C. C. (2000) O conceito de região e sua discussão. In: CASTRO, I. E. de; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. (org.). Geografia: conceitos e temas. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, p. 49-76.
HAESBAERT, R. (2010) Regional-global: dilemas da região e da regionalização na geografia contemporânea. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
INSTITUTO DA CIDADE, PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO E RURAL (INCID). (2025) São Luís em Dados – 2010 e 2022. São Luís: Prefeitura Municipal de São Luís. Disponível em: https://www.saoluis.ma.gov.br/sao-luis-em-dados---2010-e-2022/. Acessado em: 13 out. 2026.
LENCIONI, S. (1999) Região e geografia. São Paulo: Edusp.
MARIN, P. L.; ALMEIDA, M. N. S. (2023) Orçamento regionalizado como ferramenta de combate às desigualdades socioespaciais: reflexões a partir do PPA 2022-2025 do município de São Paulo. Boletim de Análise Político-Institucional, Brasília, n. 34, p. 101-110, mar. 2023. DOI: 10.38116/bapi34art9. Disponível em: <https://doi.org/10.38116/bapi34art9>. Acessado em: 12 set. 2026.
MILANI, C. R. S. (2008) O princípio da participação social na gestão de políticas públicas locais: uma análise de experiências latino-americanas e européias. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 42, n. 3, p. 551-579, maio/jun. 2008. DOI: 10.1590/S0034-76122008000300006. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0034-76122008000300006>. Acessado em: 12 set. 2026.
PEREIRA, C.; MUELLER, B. (2002) Comportamento estratégico em presidencialismo de coalizão: as relações entre Executivo e Legislativo na elaboração do orçamento brasileiro. Dados – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 45, n. 2, p. 265-301, 2002. DOI: 10.1590/S0011-52582002000200004. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0011-52582002000200004>. Acessado em: 12 set. 2026.
PERES, U. D. (2024) Governança do orçamento de São Paulo revisitada pós 2014. Da escassez à sobra de recursos. Estudos Avançados, São Paulo, v. 38, n. 111, p. 7-29, maio/ago. 2024. DOI: 10.1590/s0103-4014.202438111.002. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/s0103-4014.202438111.002>. Acessado em: 12 set. 2026.
RODRIGUES, J. N. (Coord.) (2025) Relatório de análise territorial do orçamento público de Niterói sob a perspectiva de gênero e raça: 2018–2021. Niterói: Universidade Federal Fluminense, Centro UFF de Estudos sobre Desigualdades Globais. Disponível em: https://orcanituff.com/painel-de-dados/. Acessado em: fev. 2025.
SÃO LUÍS. (2006) Lei nº 4.669, de 11 de outubro de 2006. Dispõe sobre o Plano Diretor do Município de São Luís e dá outras providências. São Luís: Prefeitura Municipal de São Luís. Disponível em: https://saoluis.ma.gov.br/midias/anexos/3454_plano_diretor_de_sao_luis_2006.pdf. Acessado em: 13 out. 2026.
SÃO LUÍS. Câmara Municipal. (2024) Lei Orgânica do Município de São Luís: atualizada até a Emenda à Lei Orgânica nº 006/2023. São Luís: Câmara Municipal de São Luís. Disponível em: https://www.saoluis.legislativo.net/docs/legislacao/LOM_006_2024.pdf. Acessado em: 13 out. 2026.
SÃO LUÍS. Prefeitura Municipal. (2021) Plano Plurianual 2022–2025. Lei nº 6.947, de 30 de dezembro de 2021. São Luís: Prefeitura Municipal de São Luís. Disponível em: <https://www.saoluis.ma.gov.br/portal/leis_decretos/1/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/0/A/data-decrescente/avancada/24>. Acessado em: 12 set. 2026.
SÃO LUÍS. Prefeitura Municipal. (2025a) Índice de Prioridade de Investimentos (IPI) 2025: ferramenta de apoio à elaboração do PPA regionalizado. São Luís: Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento; Instituto da Cidade, Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural. Documento técnico de circulação interna.
SÃO LUÍS. Prefeitura Municipal. (2025b) Projeto de Lei do Plano Plurianual 2026–2029: São Luís, uma cidade humana e inclusiva. Mensagem nº 11/2025, de 27 de agosto de 2025, com anexos. São Luís: Prefeitura Municipal de São Luís. Disponível em: https://www.saoluis.ma.gov.br/publicos/mensagem_n__11_2025___ppa_2026_2029_com_anexos_01023724.pdf. Acessado em: 13 out. 2026.
SÃO PAULO. (Município). (2021) Anexo V: regionalização e distribuição territorial das despesas no quadriênio 2022-2025. São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo. Disponível em: <https://prefeitura.sp.gov.br/documents/d/planejamento/07-ppa_anexo5_28set2021>. Acessado em: 12 set. 2026.
SILVA, M. N. (2025) Entre a norma e a prática: um estudo sobre a participação social na elaboração do Plano Plurianual 2022-2025 da cidade de Niterói/RJ. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Geografia) – Universidade Federal Fluminense, Niterói.
WISSENBACH, T. C. (2019a) A dimensão territorial do orçamento público: orientações para regionalização do gasto nas cidades brasileiras. São Paulo: Fundação Tide Setubal. Disponível em: <https://fundacaotidesetubal.org.br/publicacoes/a-dimensao-territorial-do-orcamento-publico-orientacoes-para-regionalizacao-do-gasto-nas-cidades-brasileiras/>. Acessado em: 12 set. 2026.
WISSENBACH, T. C. (2019b) Indicador de regionalização do orçamento municipal. São Paulo: Fundação Tide Setubal. Disponível em: <https://fundacaotidesetubal.org.br/publicacoes/indicador-de-regionalizacao-do-orcamento-municipal/>. Acessado em: 12 set. 2026.
WISSENBACH, T. C. (2021) Orçamento, redistribuição e território: uma análise da dimensão espacial da receita e despesa orçamentária na cidade de São Paulo. Tese (Doutorado em Administração Pública e Governo) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getulio Vargas, São Paulo. Disponível em: <https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/31586>. Acessado em: 12 set. 2026.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 GEOgraphia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original, não tendo sido submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou em sua totalidade. Declaro, ainda, que uma vez publicado na revista GEOgraphia, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense, o mesmo jamais será submetido por mim ou por qualquer um dos demais co-autores a qualquer outro periódico. E declaro estar ciente de que a não observância deste compromisso submeterá o infrator a sanções e penas previstas na Lei de Proteção de Direitos Autorias (Nº9609, de 19/02/98).
O autor concede e transfere, total e gratuitamente, ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense em caráter permanente, irrevogável e não exclusivo, todos os direitos autorais patrimoniais não comerciais referentes aos artigos científicos publicados na revista GEOgraphia. Os textos assinados são de responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores e dos membros do Conselho Editorial da revista.

Os trabalhos publicados estão simultaneamente licenciados com uma licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.