A GOVERNANÇA TERRITORIAL DA INDÚSTRIA FINANCEIRA
DOI:
https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2026.v28i60.a70791Palavras-chave:
indústria financeira, economia real, geografia, cidade global, mobilidade/liquidez do capital, financeirizaçãoResumo
Texto original: Corpataux, J.; Crevoisier, O.; Theurillat, T. The territorial governance of the financial industry. In: Martin, R.; Pollard, J. (org.). Handbook on the geographies of money and finance. Cheltenham: Edward Elgar, 2017. p. 69–88
Tradução:
Gabriel Barros
Universidade Federal Fluminense (UFF)
Niterói, RJ, Brasil
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3901-3058
E-mail: gabrielamiltonbarros@id.uff.br
Daniel Sanfelici
Universidade Federal Fluminense (UFF)
Niterói, RJ, Brasil
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-8292-5503
E-mail: danielsanfelici@id.uff.br
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Resumo: Considerando os mercados financeiros como construções institucionais e geográficas, este artigo propõe uma abordagem territorial da financeirização da economia e das regiões. A financeirização refere-se à construção e exploração da mobilidade/liquidez do capital (CORPATAUX; CREVOISIER, 2005), o que resulta em uma distinção entre as esferas real e financeira da economia. Essa separação funcional e espaço-temporal deve ser considerada em diversas escalas. No nível microinstitucional, mais especificamente em termos de governança corporativa, há uma separação entre os investidores (acionistas e gestores de fundos) e a função empreendedora. Na escala macroinstitucional, ocorre uma separação entre os espaços de arrecadação de recursos, os espaços de governança do capital e os espaços de investimento. Essas configurações resultam do crescente e contínuo processo de financeirização de empresas, setores, regiões e nações desde meados da década de 1980, ou seja, de sua progressiva integração aos circuitos de mobilidade/liquidez do capital. Os mercados financeiros adquiriram uma crescente autonomia em relação à economia real, e a cidade global passou a ocupar uma posição cada vez mais preponderante, suprimindo a governança tradicional de regiões e nações. Este artigo termina com uma síntese das principais mudanças desde os anos oitenta até à atualidade no que respeita à evolução das principais teorias e espaços do sistema financeiro.
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