Sites et Lieux de mémoire: les cybermigrances de Régine Robin

Simon Harel

Resumo


L’écriture de fiction de Régine Robin abandonne depuis Berlin-chantiers le roman mémoriel des sujets subalternes au profit d’un discours âpre et solitaire. Les scénarios narratifs que propose Robin dans Cybermigrances et L’immense fatigue des pierres sont plus proches d’un Neuromancer de Gibson que de la madeleine proustienne. Faut-il s’en désoler, regretter le temps de la mémoire analogique chère à Apollinaire, pour préférer les achronies sciences-fictionnelles du monde numérique? S’il y a bien chez cette auteure une fascination explicite pour les noyaux et arborescences du web, L’immense fatigue des pierres ne se réduit pas à ce dispositif. Régine Robin nous offre une réflexion détaillée sur l’asémie généralisée de nos espaces contemporains. En témoignent les nombreuses descriptions de Berlim dans les ouvrages récents de Robin. La mémoire de la Shoah est enclavée dans un monde en ruines dont la “représentation” de Berlim est le palimpseste torturé. Face à ce deuil impossible des disparus de la Shoah, à l’écran du web qui renvoie le sujet à sa solitude, il faut “construire” (selon l’expression de Thomas Bernhard dans Corrections) un site pour des ruines vivantes.

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Sites e locais de memória: "cybermigrances" de Régine Robin

A partir de Berlin-chantiers, a escrita ficcional de Régine Robin deixa de lado o romance memorial dos sujeitos subalternos em prol de um discurso duro e solitário. Os cenários narrativos que Robin propõe em Cybermigrances e L’immense fatigue des pierres estão bem mais próximos de um Neuromancer de Gibson do que da madeleine de Proust. Deveríamos lamentar o tempo da memória analógica cara a Apollinaire diante da preferência pelas acronias científico-ficcionais do mundo digital? Se bem que essa escritora nutra uma fascinação explícita pelos núcleos e ramificações da web, L’immense fatigue des pierres não se reduz a este dispositivo. Régine Robin nos oferece uma reflexão detalhada sobre a assemia generalizada nos espaços contemporâneos da qual são testemunhas as inúmeras descrições de Berlim em suas obras mais recentes. A memória da Shoah está encravada em um mundo em ruínas cuja “representação” de Berlim é o palimpsesto torturado. Diante desse luto impossível pelos desaparecidos da Shoah, é preciso “construir” (segundo a expressão de Thomas Bernhard em Corrections), na tela da web que remete o sujeito a sua solidão, um site para as ruínas vivas.

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Artigo em francês.


Palavras-chave


Littérature/Literatura. Mémoire/Memória. Ruines/Ruínas. Cyberespace/Espaço cibernético. Espaces urbains/Espaços urbanos. Palympseste virtuel/Palimpsesto virtual

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DOI: https://doi.org/10.22409/gragoata.v13i25.33139

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