Emergência e produtividade de construções morfológicas no constructicon da Libras
Palavras-chave:
Compostos, Libras, Gramática de Construções Baseada no UsoResumo
Neste artigo, investigamos, a partir de dados de uso, aspectos formais e semânticos envolvidos na composição de sinais multimorfêmicos da Língua Brasileira de Sinais (Libras), com o objetivo de discutir as representações cognitivas subjacentes a esses usos e sua organização no constructicon da língua. Para tanto, adotamos como principal referencial teórico a Gramática de Construções Baseada no Uso (Goldberg, 2006; 2019; Croft, 2001; Hilpert, 2014), partindo da hipótese de que sinais compostos podem ser compreendidos como pareamentos convencionais de forma e significado, distribuídos em um continuum entre morfologia e sintaxe (Nascimento, 2025b). A fim de testar e refinar essa hipótese, analisamos uma amostra de sinais compostos da Libras, coletados do Spread The Sign Web Dictionary, os quais evidenciam a emergência de esquemas construcionais de natureza nominalizadora. Os dados foram submetidos a uma análise qualiquantitativa, considerando-se a categoria morfológica das bases envolvidas, seu grau de independência distributiva, a ordenação dos constituintes e a estrutura conceptual evocada pelas construções, bem como a atuação da força coercitiva dos esquemas nominalizadores sobre as formas instanciadas. Os resultados indicam que a composição na Libras se organiza a partir de padrões parcialmente esquematizados sensíveis ao uso e à frequência, os quais revelam tanto restrições formais quanto regularidades semântico-conceptuais, contribuindo para a compreensão do constructicon da Libras como um sistema dinâmico, gradiente e emergente.
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