Cognição, gramática e simplexidade: uma argumentação sobre a eficácia da proposta gerativista da gramaticoteca para a educação básica com base nas neurociências e na psicolinguística

Autores

  • Eloísa Nascimento Silva Pilati Universidade de Brasília. Brasília, DF, Brasil https://orcid.org/0000-0003-2895-5557
  • Marcus Maia Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Palavras-chave:

Ensino de gramática, Simplexidade, Rastreamento ocular

Resumo

Este artigo investiga as contribuições da gramática gerativa para o ensino de línguas à luz do conceito de simplexidade (propriedade de sistemas cognitivos complexos que emergem de princípios computacionais simples, econômicos e recursivos) tal como postulado na teoria linguística contemporânea, defendendo que modelos baseados nesses princípios são compatíveis com a arquitetura mental da linguagem de acordo com evidências empíricas provenientes da psicolinguística e da neurociência cognitiva. Argumenta-se que o ensino contemporâneo de gramática deve articular conhecimentos da linguística gerativa com evidências experimentais, promovendo a sistematização e explicitação de princípios relacionados a representações linguísticas abstratas, favorecendo desenvolvimento da metacognição linguística. Nesse sentido, apresentam-se duas propostas de transposição da teoria para a prática: o uso do eyetracking educacional e a Aprendizagem Linguística Ativa. Também se apresentam os resultados de um experimento psicolinguístico com rastreamento ocular, realizado com 16 estudantes da educação básica, que comparou a instrução gramatical tradicional a uma abordagem de Aprendizagem Linguística Ativa (Gramaticoteca), fundamentada na manipulação consciente de estruturas sintáticas e na reflexão explícita sobre concordância verbal. Os resultados indicam maior sensibilidade a propriedades estruturais hierárquicas e melhor desempenho em tarefas de análise sintática no grupo submetido à abordagem ativa. Discute-se, por fim, que esse tipo de formação, ao tornar salientes os princípios computacionais subjacentes à estrutura da sentença e fomentar o raciocínio analítico baseado em evidências linguísticas, pode contribuir para o desenvolvimento da vigilância epistêmica em contextos de infodemia e desinformação, ao fortalecer mecanismos de monitoramento crítico e avaliação da informação linguística.

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Biografia do Autor

  • Marcus Maia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

    Marcus Maia é doutor em Linguística pela University of Southern California – USC, (1994). Realizou estágio de pós-doutorado na área de Processamento da Linguagem como pesquisador visitante na City University of New York – CUNY (2003-2004). Atualmente é Professor de Linguística do Departamento de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fundou e coordena o Laboratório de Psicolinguística Experimental (LAPEX), grupo de pesquisa da UFRJ, registrado no CNPq, em 2001. Coordenou o Grupo de Trabalho de Psicolinguística da ANPOLL no biênio 2006-2008. Atua nas áreas de Psicolinguística, Teoria e Análise Linguística e Línguas Indígenas Brasileiras, desenvolvendo pesquisas e orientando projetos sobre processamento sintático e morfológico, teoria da gramática, línguas indígenas brasileiras

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Publicado

2026-09-22

Edição

Seção

(v. 31, n. 70) - Linguagem e Cognição: Abordagens Contemporâneas

Como Citar

Cognição, gramática e simplexidade: uma argumentação sobre a eficácia da proposta gerativista da gramaticoteca para a educação básica com base nas neurociências e na psicolinguística. (2026). Gragoatá, 31(70), e70606. https://periodicos.uff.br/gragoata/article/view/70606