(Inter)subjetividade e ressalva em contextos contrastivos: o caso de construções de base temporal
Palavras-chave:
Contraste, Ressalva, (Inter)subjetividade, Sendo que, Ocorre queResumo
Busca-se, neste artigo, analisar o valor semântico da ressalva em construção contrastiva, com sendo que e ocorre que funcionando como novos conectores na conexão de orações paratáticas. Na relação contrastiva entre orações, o segundo segmento representa a quebra de expectativa proposta no primeiro segmento. O efeito de sentido da ressalva, em combinação com a quebra de expectativa, produz efeito pragmático focalizador. A ressalva apresenta, assim, características discursivo-pragmáticas de retomada, focalização e contraste bastante significativas, permitindo uma ruptura no discurso, ao conectar segmentos desiguais entre si, destacando-se principalmente a intenção de convencimento do interlocutor. Dentre as relações semânticas contrastivas já identificadas, destacamos o contraste parcial (restrição parcial de informação já mencionada no primeiro segmento, com acréscimo de uma nova informação) e o de gradação de informação (da maior para a menor) (Dias, 2023; 2025; Pacheco; Dias, 2024). Os resultados mostram que o contraste parcial é recorrente com sendo que e ocorre que, enquanto o contraste por gradação é mais saliente com o primeiro. Ademais, o modo de retomada da informação difere para acomodar o conector selecionado. Ou seja, quando o discurso envolve aspectos quantitativos, o falante prefere sendo que; porém, na retomada de léxico, o falante opta por ocorre que. Nossa investigação compreende pressupostos da Linguística Baseada no Uso, mobilizando conceitos da Linguística Cognitiva e do Funcionalismo, como (inter)subjetividade, contraste e conexão oracional paratática. Dois corpora foram utilizados: o website Corpus do Português, seção Now, e os discursos do Senado do Brasil. A análise é predominantemente qualitativa.
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