“Não é por nada não”: frames e administração da imputação de motivo no X/Twitter

Autores

  • Raphael Alves de Oliveira UERJ/ Doutorando em Linguística
  • Natival Almeida Simões Neto UFBA/ Professor Assistente https://orcid.org/0000-0001-7972-2396
  • Diego Spader de Souza UNISC/ Professor

Palavras-chave:

Não é por nada não, Semântica de frames, Metapragmática

Resumo

Este artigo descreve o funcionamento da sequência “não é por nada não” (NPN) no português brasileiro no X/Twitter, tratando-a como fórmula prefacial que antecipa a disputa pela explicação motivacional do gesto e incide sobre a interpretabilidade pública do segmento subsequente (Segmento₂). O objetivo é determinar por quais regularidades do encaixe a NPN promove o MOTIVO-IMPUTÁVEL à condição de objeto avaliável, recusa preventivamente um preenchimento motivacional previsível e, ainda assim, preserva a continuidade de um ato sancionável em Segmento₂. Para isso, articula-se a noção de metapragmática como regimentação do interpretável e de descrição tipificada do que foi feito ao dizer (Silverstein, 1993, 2003; Reyes, 2002) às condições de publicabilidade e recontextualização do tecnodiscurso (Boyd, 2010; Paveau, 2017) e à Semântica de Frames em texto e discurso (Fillmore, 1982, 1985; Ziem, 2014), operacionalizada por referência/predicação, slots, fillers e defaults. O corpus reúne 100 ocorrências, coletadas manualmente entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, com postagens publicadas entre 2021 e 2025, descritas por segmentação S1 + NPN + S2 e por matriz de anotação frame-discursiva. Os resultados indicam preferência pela inserção inicial (94%) e pela articulação adversativa com mas/mais (98%), configurando um procedimento recorrente em que RECUSA de um motivo tipificado e CONTINUIDADE do gesto coexistem, enquanto defaults motivacionais de alta acessibilidade são rebaixados como explicação suficiente. Com base nisso, propõe-se um superframe de IMPUTAÇÃO DE MOTIVO e descrevem-se subcenas em que a disponibilidade de defaults varia conforme alvo, tipo de ato e custo sancionável, incluindo limites internos do procedimento em confronto.

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Biografia do Autor

  • Raphael Alves de Oliveira, UERJ/ Doutorando em Linguística

    Doutorando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa (PPGLILP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Bolsista Capes.

  • Natival Almeida Simões Neto, UFBA/ Professor Assistente

    Professor Assistente da Universidade Federal da Bahia. Integra o setor de Língua Portuguesa do Instituto
    de Letras da UFBA, atuando na área de Estudos Semânticos e Lexicais. É docente permanente do Programa de Pós-graduação em Língua e Cultura (PPGLinC-UFBA) e do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL-UEFS). Doutor em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia - UFBA. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

  • Diego Spader de Souza, UNISC/ Professor

    Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), São Leopoldo, Brasil. Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, Brasil.

Referências

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Publicado

2026-09-18

Edição

Seção

(v. 31, n. 70) - Linguagem e Cognição: Abordagens Contemporâneas

Como Citar

“Não é por nada não”: frames e administração da imputação de motivo no X/Twitter. (2026). Gragoatá, 31(70), e70739 . https://periodicos.uff.br/gragoata/article/view/70739