O efeito de contexto prévio sobre a resolução de ambiguidade estrutural com variantes da relativa de objeto indireto/oblíqua no PB
Palavras-chave:
processamento de oração relativa, contexto prévio, ambiguidade temporária, leitura automonitorada, memóriaResumo
Este estudo introduz um fenômeno inédito acerca das preferências de interpretação no processamento de ambiguidades temporárias. Objetivou-se verificar se, em relativas de objeto indireto cortadoras, típicas do português brasileiro (PB), contextos prévios com baixa ou alta plausibilidade poderiam favorecer a leitura do “que”, em construções como “Pedro disse ao professor que Alice entregou o relatório que precisava...”, como pronome relativo, em vez de conjunção integrante, em contraste com relativas do tipo padrão (“(...) ao professor para quem Alice entregou (...)”), sem ambiguidade. Quarenta e sete participantes fizeram um teste de leitura automonitorada, com pequenas histórias seguidas de uma pergunta de compreensão. A variável dependente foi o tempo de leitura (TL) dos segmentos oracionais. O tipo de relativa (padrão ou cortadora) e o tipo de contexto prévio (baixa ou alta plausibilidade para uma oração relativa) foram as variáveis independentes (Maia et al., 2003; Soares, 2014). Também se administrou um teste de memória de trabalho verbal adaptado (Kim; Oines; Miyake, 2017). Nossos resultados indicaram que, frente a esse tipo de estrutura, a oração encaixada é preferencialmente lida como completiva. O contexto tem um efeito apenas marginal no segmento crítico, enquanto o tipo de relativa impacta significativamente o custo de processamento, que se mantém no segmento posterior. A relativa padrão apresenta rápida recuperação, particularmente no contexto alto, embora a interação seja apenas marginal. O escore de memória só obteve correlação positiva com desempenho na tarefa de compreensão, no contexto de baixa plausibilidade. Infere-se que, em cenário desafiador, isto é, de baixa plausibilidade e ambiguidade estrutural, indivíduos com maior capacidade de memória apresentam melhor desempenho de processamento com estruturas sintáticas complexas.
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