Enunciados definitórios e a disputa na arena midiática: o discurso jornalístico digital alternativo como resistência
DOI:
https://doi.org/10.22409/gragoata.v31i70.69505.ptPalavras-chave:
discurso jornalístico alternativo e digital, enunciados definitórios, análise do discurso materialista, grande imprensaResumo
Este artigo analisa, a partir da análise do discurso materialista, os enunciados definitórios presentes na apresentação institucional de dois jornais — o Estadão e o Intercept Brasil — com o objetivo de compreender os modos como esses meios de comunicação se inscrevem na disputa simbólica por legitimidade no campo midiático. No caso do jornal Estado de São Paulo (Estadão), observa-se a mobilização de uma memória política estabilizada que projeta efeitos de transparência e neutralidade, apagando as marcas de sua própria posição enunciativa. Já o Intercept Brasil assume um lugar de enunciação marcado pela memória de enfrentamento e por condições de produção que favorecem a circulação de sentidos interditados pela mídia tradicional. O trabalho propõe que os enunciados definitórios, ao dizerem o que um jornal “é”, “faz” ou “defende”, participam de um processo de fixação de sentidos e de delimitação do que pode ou não ser dito no espaço público. Ao contrário do gesto de esclarecimento que aparentam ser, esses enunciados operam como gestos de regulação simbólica que inscrevem as disputas ideológicas nas formas de dizer do jornalismo contemporâneo.
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