Uma leitura topológica da poesia de Paul Celan
Palabras clave:
Celan, eu e tu, abordagem topológica, fita de Möbius, memóriaResumen
Proponho uma abordagem topológica da poesia de Paul Celan, explorando os lugares-limite nela construídos com obstinação. A reflexão origina-se das palavras do próprio poeta em seu discurso “O Meridiano”, quando diz que “o poema se afirma às margens de si mesmo” e que a procura pelo lugar da poesia seria uma “investigação topológica” (Celan, 1960). A incansável busca de orientação em Celan resulta numa intrigante espacialização em seus poemas: seja nas rupturas silábicas, nas abruptas quebras de versos, seja no interior das palavras poéticas, nas tensas junções dos compósitos, que geram opacidade linguística, seja nos efeitos inusitados do uso de partículas de direção e de negação e nos lugares de transição evocados nos versos – pontos que examinaremos neste estudo. A abordagem topológica em Celan inicia com a discussão de excerto de “O Meridiano”, discurso marcado por reflexões críticas acerca da poesia contemporânea e por problematizações de ordem filosófica, em especial de matriz heideggeriana (Lyon, 2006). Nesse sentido, a leitura topológica da obra celaniana é concebida não como um sistema de signos ou como um repertório de lugares-comuns – cuja tradição remonta à discussão sobre topoi desenvolvida por Curtius –, que visariam a um afastamento da realidade, mas como um mapeamento de espaços instaurados na própria linguagem, nos quais se configuram modos singulares de presença e de interlocução. Conclui-se que o tópos da poesia celaniana é um lugar-limite em aberto, criado por um sujeito nele inscrito, em infinito diálogo com a memória e com o “tu”, como em uma fita de Möbius.
Descargas
Referencias
ABI-SÂMARA, Raquel. Quem sou Eu, Quem és Tu? Hans-Georg Gadamer: Leitor de Paul Celan. 2004. Tese (Doutorado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
BUCK, Theo. Celan-Studien: Muttersprache, Mördersprache. Aachen: Rimbaud, 1993.
CARDOZO, Mauricio Mendonça. A obscuridade do poético em Paul Celan. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, v. 15, n. 19, p. 82-108, 2012.
CELAN, Paul. Ar-reverso (Atemwende). Tradução de Guilherme Gontijo Flores. São Paulo: Editora 34, 2021.
CELAN, Paul. Arte poética: O Meridiano e outros textos. Tradução de João Barrento e Vanessa Milheiro, posfácio e notas de João Barrento, Lisboa: Cotovia, 1996.
CELAN, Paul. Atemkristall. Paris: Brunidor, 1965.
CELAN, Paul. Atemwende. Frankfurt: Suhrkamp, 1967.
CELAN, Paul. Gesammelte Werke in fünf Bänden. Editado por Beda Allemann e Stefan Reichert, com a colaboração de Rolf Bücher, Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1983.
CHALFEN, Israel. Paul Celan: Eine Biographie seiner Jugend. Frankfurt: Suhrkamp, 1983.
DERRIDA, Jacques. Schibboleth: Pour Paul Celan. Paris: Éditions Galilée, 1986.
FELSTINER, John. Paul Celan: Poet, Survivor, Jew. New Haven: Yale University Press, 1995.
GADAMER, Hans-Georg. Gesammelte Werke, vol 9, Ästhetik und Poetik. Hermeneutik im Vollzug. Tübingen: Mohr Siebeck, 1993.
GADAMER, Hans-Georg. Quem sou eu, quem és tu? Comentário sobre o ciclo de poemas “Hausto-Cristal” de Paul Celan. Traduzido por Raquel Abi-Sâmara, Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2005.
GADAMER, Hans-Georg. Wer bin Ich und wer bist Du? Ein Kommentar zu Paul Celans Gedichtfolge “Atemkristall”. Frankfurt: Suhrkamp, 1973.
GELLHAUS, Axel; BÜCHER, Rolf; FILALI, Sabria; GOSSENS, Peter; HARBUSCH, Ute; HECK, Thomas; IVANOVIC, Christine; LOHR, Andreas; WIEDERMANN, Barbara; PLÄTTNER, Petra (orgs.). Fremde Nähe: Celan als Übersetzer. Marbach: Offizin Chr. Scheufele, 1997.
HEIDEGGER, Martin. Unterwegs zur Sprache. Pfullingen: Neske, 1959.
JOHNSON, Donovan A.; GLENN, William H. O estranho mundo da topologia. In: JOHNSON, Donovan A.; GLENN, William H. Matemática sem problemas VI. Rio de Janeiro: José Olympio e Editora Melhoramentos, 1972, p. 249-264.
KIEDAISCH, Petra. Lyrik nach Auschwitz? Adorno und die Dichter. Stuttgart: Philipp Reclam, 1995.
KLINK, Joanna. You. An Introduction to Paul Celan. The Iowa Review, v. 30, n. 1, p. 1-18, 2000.
KREMER, Paola Santi. Desde la frontera, suena el grito del borderline: escuchas de Waly Salomão. Literatura: teoría, historia, crítica, v. 22, n. 2, p. 449-463, 2020.
LYON, James K. The Meridian. An “Implicit Dialogue with Heidegger,” 1960. In: LYON, James K. Paul Celan and Martin Heidegger: An Unresolved Conversation, 1951-1970. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2006. p. 122-134.
MEINER, Carsten. Modernizando a topologia literária: convenção, contingência e história. Tradução de Caetano W. Galindo. Revista Versalete, v. 6, n. 11, 2018.
MILLER, Jacques-Alain. A topologia no Ensino de Lacan. Tradução de Sérgio Laia. In: MILLER, Jacques-Alain. Matemas I, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora; Campo Freudiano no Brasil, 1996. p. 73-89.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. A literatura do trauma. Dossiê Literatura de Testemunho. Cult - Revista brasileira de literatura, v. 23, p. 40-47, 1999.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. Literatura e trauma: um novo paradigma. Rivista di studi portoghesi e brasiliani, v. 3, p. 103-118, 2001a.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. A catástrofe do cotidiano, a apocalíptica e a redentora. Sobre Walter Benjamin e a escritura da memória. In: DUARTE, Rodrigo; FIGUEIREDO, Vera (org.). Mímesis e expressão. Belo Horizonte: Editora da Universidade Federal de Minas Gerais, 200lb. p. 364-380.
WEINRICH, Harald. Kontrationen. In: MEINECKE, Dietlind (org.). Über Paul Celan. Frankfurt: Suhrkamp, 1970. p. 214-225.
WEINRICH, Harald. Lete: arte e crítica do esquecimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
WERNER, Uta. Das Grab. im Text. Paul Celans Lyrik im Imaginationsraum der Geologie. In: BERG, Nicolas; JOCHIMSEN, Jess; STIEGLER, Bernd (org.). Shoah - Formen der Erinnerung - Geschichte, Philosophie, Literatur, Kunst. München: Fink, 1996. p. 159-182.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Gragoatá

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
AUTORIZAÇÃO
Autores que publicam em Gragoatá concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos e cedem à revista o direito à primeira publicação, simultaneamente submetido a uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite o compartilhamento por terceiros com a devida menção ao autor e à primeira publicação pela Gragoatá.
Os autores podem entrar em acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada da obra (por exemplo, postá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Gragoatá.
A Gragoatá utiliza uma Licença Creative Commons - Atribuição CC BY 4.0 Internacional.







