Encontros e travessias entre falso confessional, metapoesia e escrita de mulheres: diálogos entre Ana Cristina Cesar e Sylvia Plath
DOI :
https://doi.org/10.22409/gragoata.v31i69.69942.ptMots-clés :
Escrita de mulheres, Falso confessional, Metapoesia, Sylvia Plath, Ana Cristina CesarRésumé
Este artigo propõe uma leitura crítica dos diálogos entre as poéticas de Ana Cristina Cesar e Sylvia Plath, articulando três eixos: o falso confessional, a metapoesia e a memória de leitura. A partir da análise dos poemas “Presente de aniversário” e “Palavras”, de Sylvia P., e “O tempo fecha” e “sete chaves”, de Ana C., investiga-se como ambas constroem vozes líricas que tensionam os limites entre a experiência e o fazer poético. Dialogando com Rosenthal (1959) e Gilbert e Gubar (1979), recorro ao conceito de falso confessional, marcado pela transparência ambígua de um eu que performa uma falsa intimidade, em que o corpo feminino se configura como corpo que é território (Grosz, 2000), sujeito a controle, mas que se faz resistência. No campo da metapoesia, a noção de opacidade revela-se central: o poema torna-se espaço autorreflexivo e de protesto, onde o corpo, usando de recursos textuais, transforma-se em corpo-texto (Françoso, 2008). O conceito de memória de leitura (Kleiman, 1989; Halbwachs, 2006) permite compreender a interlocução afetiva e crítica entre as escritoras, sobretudo na poética de Ana C., leitora de Plath. Assim, este estudo evidencia como ambas recusam e subvertem a tradição literária patriarcal e instauram, na poesia contemporânea, discursos performáticos e críticos, ironizando e principalmente desafiando a normatividade.
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